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É simples assim: um manda e o outro obedece.

Em um esforço comum e multidisciplinar, a Klu Klux Klan, a organização QAnon, o grupo 300 do Brasil, o astrólogo Olavo de Carvalho e o consultor Steve Bannon estão desenvolvendo uma vacina contra a Covid-19 em um laboratório clandestino cedido pelo presidente turco Tayyip Erdoğan.


Ninguém ali entende patavinas de medicina, mas isso não tem a menor importância.


A formação desse pool equivale a uma certificação de origem ideológica do imunizante, único requisito indispensável para que o governo Bolsonaro o adquira.


Se der certo no Brasil,Trump promete comprar um lote também.


Todavia, os testes empacaram pela ausência de cobaias, pois após diversas mortes, entidades de defesa dos animais proibiram a cessão de camundongos e coelhinhos ao grupo.


Para piorar as coisas nenhum voluntário se apresentou para a prova em seres humanos.


Bolsonaro convocou a cúpula do governo e sugeriu testar compulsoriamente a vacina no João Doria com um double check na bunda do senador Chico Rodrigues:


- Ôôô Pazuello, desta vez entendeu, né? Não vai fazer mais cagada. Primeiro aplica no Doria para avaliar os efeitos colaterais aí. E avisa lá para darem uma geral no traseiro do Chico na enfermaria. Vai que... há há há.


- Mas eu e o Doria havíamos combinado que...


- General, cê tá fazendo vestibular pra Mandetta?


- Senhor, sim senhor! Digo: não senhor!


- Ôôô Paulo Guedes, tem alguma outra ideia aí? Tipo transformar postos de gasolina em postos de vacinação?


- Presidente, eu tenho uma ideia afinada com a responsabilidade fiscal, que preserva o teto do gasto público e, de quebra, vai criar uma fila gigantesca de cobaias.


Todos se boquiabrem, admirados. Vaidoso, Guedes faz uma pausa e manda:


- Vamos passar a distribuir auxílio emergencial somente para quem experimentar a tal vacina.


Pazuello indaga a Guedes:


- Mas colega, e os outros?


- Que se fodam. Que vão testar a vacina chinesa. Mesmo se der certo vão morrer de fome e a conta vai pro Doria.


Bolsonaro vibra e anuncia o fim da reunião:


- Puta que o pariu, esse meu frentista, esse meu frentista. Ouviram o do Ipiranga, tropa? Mãos à obra.


Todos se levantam, menos Pazuello, visivelmente cabisbaixo.


- Tá abatido, pô; sou só carinho pra você, Pazuello.


- É que ontem testei positivo, presidente.


- Ôôô chefia de gabinete, bota aí o ‘da Saúde’ no helicóptero da FAB e deixa ele lá no Butantã. Há, há, há.


Antes de cruzar a porta, o presidente interpela novamente o ministro da economia:


- Guedes, libera uma grana aí pros meus meninos negociarem com os gringos a compra da vacina desses caras aí.


Pazuello, já escorado por dois ajudantes de ordem, balbucia:


- Mas a ANVISA ainda nem recebeu o protótipo dessa vacina, presidente.


- Dá um jaleco para o Ricardo Salles e bota ele na ANVISA, oh cacete! Quem manda nesta porra sou eu.

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