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A homenagem.

Depois de 8 anos casados, Juliana, 36 e Glen, 41, ainda não tinham filhos.

Quem já passou pela dificuldade de engravidar, sabe o que isso significa.

A família não perdoa.

– E esses dois, hein? Quando é que vão nos dar um netinho? - a mãe do Glen fazia questão de perguntar em todo Natal, aniversário e almoço de domingo.

E perguntava olhando para Juliana, como se a culpa fosse dela.

Glen pedia:

– Eita, porra, mãe. Para com isso. A gente tá tentando.

A mãe não parava.

– Tentando? Filho não se tenta. Filho se tem. Olha aí o seu irmão e a Natali indo para o terceiro. - e esfregava o cabelo do Jonathan, o neto caçula, olhando para uma orgulhosa Natali grávida.

A verdade é que estavam mesmo tentando.

Usavam o método da temperatura e Glen até saia correndo do escritório para consumar o ato nos dias férteis da Juliana.

Nada.

Pensaram em inseminação artificial.

Procuraram médicos especializados.

Fizeram exames, os dois.

Tudo certo.

Se não tinham conseguido ainda, era coisa da natureza que o médico não sabia explicar, por isso disse que poderia ser estresse.

– Considerem inseminação artificial. A taxa de sucesso é enorme.

– Eita porra, doutor. É muito caro isso.

E a Juliana queria tentar mais um pouco, pelo método antigo mesmo.

Juliana dava aulas de história antiga num colégio do Estado e traduzia os livros do Anthony Adolph, um autor inglês que ela gostava muito.

Glen trabalhava num escritório de contabilidade no centro.

Um belo dia, Glen chegou em casa e encontrou a mesa posta com velas e tudo.