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A Pombagira

Atualizado: Abr 27

Pouco antes dos protestos de 13/03/2016, escrevi o seguinte: “Bobagem clamar ‘apoio a Moro’ ou bradar ‘prisão aos corruptos’. Isso nada tem a ver com Dilma. Ou melhor, tem sim: é sob o governo dela que o Moro está prendendo toda essa gente. Enfim, com ou sem Dilma, dos corruptos a Justiça cuida.” (24/02/2016).


Na época, quem coordenava a Lava Jato era o Procurador Carlos Fernando Lima que hoje, em entrevista ao O Globo, declarou que, quando o PT tentou mexer na Federal, teve que capitular diante das manifestações da corporação “a favor da independência das investigações“.


Disse que o governo Temer, “em especial“, tentou interferir na Federal quando do episódio do Joesley, mas também desistiu da ideia.


A circunstância de ambos terem ficado no plano das más intenções, em nada os redime. Como pondera Thomas Moore, “Os obstáculos que impedem a execução de uma má intenção não justificam aquele que a concebeu, e que, por certo, teria cometido o mal se tivesse podido.”


O ex-coordenador da Lava Jato ajudou com seu voto a eleger Bolsonaro e arrependeu-se.


A Constituição não mudou, exceto pelo fato de que o atual presidente, como um pai de santo incorporando uma pombagira, já disse que a constituição é ele próprio.


Tomado pela Entidade, Bolsonaro crê que, sim, pode tudo. Por isso, há muito já passou da má intenção à má ação.


Carlos Fernando Lima foi curto e grosso: a “má intenção” de Bolsonaro é o “desvio da finalidade das investigações para municiar o poder político” que ostenta e assim colocar pressão sobre a PF “tão logo comece a fritura dos filhos dele nesses inquéritos, se é que já não estão fritos”.


Disse que não tem dúvidas de que o presidente cometeu crime de responsabilidade para ajudar os filhos, e que se ele não apresentou qualquer justificativa para defenestrar Valeixo, “me parece suficiente para deixar claro a qualquer pessoa de bem o que aconteceu.”


Tudo isso para, voltando ao que escrevi, reconhecer meu erro. Com Bolsonaro, nem todos os corruptos serão punidos, e mais do que uma sessão parlamentar de impeachment, para livrar-nos do mal é preciso uma sessão de exorcismo daquelas que seus pastores realizam.



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