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A profecia se cumpriu.

Em 1999, numa entrevista para a Band, o então deputado Jair Bolsonaro disse que a ditadura errou.

Que deveria ter matado mais uns 30 mil, começando por fuzilar FHC, na época o presidente.

30 mil.

Hoje a covid19 matou o brasileiro número 30 mil.

Não surpreendeu ninguém.

Não tem nome.

É só mais uma morte.

Minutos depois, morreram outros.

O número passou sem a devida nota.

Bolsonaro, quem diria, conseguiu seu objetivo.

A profecia se cumpriu.

E todos nós sabíamos que isso iria acontecer.

Era só acompanhar as curvas, disponíveis em infinitos sites.

Assim como os números só podem crescer.

Porque não existe nenhuma indicação que estamos reduzindo contaminação ou mortes.

Pelo contrário.

Hoje São Paulo bateu novo recorde de fatalidades.

Manaus continua enterrando os mortos em valas comuns.

Guarulhos tem 93% de ocupação de leitos de UTI.

E o que se vê são grandes cidades cedendo à pressão da ignorância.

O isolamento, em qualquer lugar do mundo, começou a ser reduzido quando a curva achatou.

Quando os casos consistentemente diminuíram.

Estamos longe disso.

No Brasil todo.

O número de mortos dobrou em apenas 12 dias.

A situação pede liderança.

E liderança não existe.

O ministro da Saúde interino não dá entrevistas.

Não recomenda nada, não informa nada.

O presidente ignora a situação.

Para ele, o vírus é um problema menor, que não merece sua atenção.

Sua mensagem de hoje, no chiqueirinho, é que lamenta esses 30 mil brasileiros que se foram, mas que morrer é o destino de todos nós.

Então é isso.

Vamos aceitar a morte, mesmo que ela venha por incompetência, por negacionismo, por ignorância, porque esse é o nosso destino.

Somos um navio fantasma, à deriva.

Mas o que importa, para o governo federal e agora, dada a pressão, também para os estaduais, é a economia voltar a funcionar.

Que se danem as recomendações da ciência.

Quem manda aqui é o chefe.

É o Posto Ipiranga.

É o general de divisão escalado para cuidar da maior pandemia do século sem nunca ter exercido nenhuma função nessa área.

As próximas semanas vão ser um massacre.

Em 10 ou 15 dias no máximo, serão 60 mil mortos.

Até o final de junho, estima-se 100 mil.

Sem exemplo de cima, sem indicações do ministério, faz-se o que manda nosso governo.

O mesmo governo que, há dois anos, vendeu o conto que o maior país da América Latina, corria o risco de virar a Venezuela.

O mesmo governo que, hoje, acredita que existe um "golpe da esquerda" em andamento.

O mesmo governo que aceita conselhos de um astrólogo.

As duas crises, política e sanitária, se misturam dia a dia, como se fossem a mesma e criam o caos social mais grave de nossa História.

Ambas poderiam ter sido evitadas.

Não hoje.

Em 1999.

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