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A república dos saguis.

Atualizado: Set 3

O bairro onde eu moro é residencial e arborizado.

É muito comum ver nos galhos das árvores, ou até mesmo andando pelos fios das empresas de telefonia, ligados aos postes, os tais “macaquinhos”.

São os saguis.

Andam em bandos ou famílias saqueando ovos dos ninhos de pássaros.

Travam lutas intermináveis com os sabiás, bem-te-vis e outros tantos que só um ornitólogo como Márcio Alemão saberia detalhar.

Num sábado desses, no Sete Molinos, o delicioso restaurante e café que frequentamos aqui no bairro, Priscila, minha mulher, sensibilizada com o olhar “pidão” de uma dessas famílias de saguis, resolveu dar um auxílio emergencial a eles.

Um pedaço de banana.

Achei pouco e, assim como Rodrigo Maia, incentivei a dar mais alguma coisa: um pedaço de pão e outro, e mais outro.

Senti o apoio das lideranças das mesas ao meu lado para aumentar o auxílio.

E Priscila assim o fez.

No dia seguinte, lá estavam eles, em maior número agora.

Priscila ficou entusiasmada. Eu e Miguel, dono do restaurante, assustados com o tamanho do bando.

A árvore, em frente ao restaurante, já tinha um considerável número de saguis capazes de garantir a reeleição da Priscila naquele domingo.

Durante a semana, Miguel, o dono do restaurante e amigo querido, me telefona para contar que, na terça-feira, os saguis invadiram o restaurante atacando as mesas em busca de mais auxílio emergencial.

Contei à Priscila que, agora popular, deu de ombros e saiu para inaugurar algumas obras que não eram dela.

Miguel, teve que usar a Guarda Nacional para conter a entrada dos saguis no restaurante.

Só sei que a popularidade da Priscila caiu bastante entre os saguis da região.

Qualquer semelhança dessa história com fatos reais é mera coincidência.

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