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A segunda onda.

Atualizado: Jun 5

Em março de 2019, Jair Bolsonaro convocou seu ‘Conselho de Ministros’, sacou a caneta BIC e, diante das câmeras de TV, assinou uma regra que concretizaria a promessa de campanha de por um fim à ‘velha política do toma lá, dá cá’. Seu Decreto 9.727/2019 exigiria dos indicados a cargos de confiança ‘reputação ilibada, perfil profissional ou acadêmico compatível com o cargo, experiência profissional de dois anos em área relacionada à função, título de especialista, mestre ou doutor’. Em seguida, o presidente fez uma emenda ao texto - ‘é natural eu botar quem está do meu lado’ -, tuitou para justificar o favorecimento de parentes e amigos, como a indicação do Zero3 para embaixador nos EUA. ‘Que mania vocês têm de que parente meu não presta!’, reclamou. Para tristeza do Bananinha, não prestou.

Deixemos de lado Washington e foquemos em Wellington. Em Wellington Roberto, um deputado federal do outrora demonizado Centrão.

O Centrão, como diz o nome, não tem lado. E contra ele não há vacina. Como o corona, deve-se guardar distância, mas tanto à esquerda como à direita há quem se aproxime. Afinal, como disse Paulo Guedes ‘todos têm o direito de se contaminar’.

Foi o que ocorreu no passado com Lula e, agora, se repete com Bolsonaro, provando que os infectologistas estavam certíssimos ao alertar sobre os perigos de uma ‘segunda onda’.

Bolsonaro e Lula são a nossa pororoca fisiológica. Um encontro de águas turvas e mal cheirosas. Voltando a Wellington, ele é um dos muitos brasileiros que não conseguiu completar o ensino superior. Certamente devido a essa experiência lhe coube indicar seu chefe de gabinete, Garigham Amarante Pinto, para a diretoria do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).


Garigham, por sua vez, já foi advogado de Valdemar Costa Neto, preso no Mensalão pelo tomá lá, dá cá entre PT e o... Centrão. Como o FNDE tem tantos cargos quanto bilhões a oferecer, um outro vetor do contágio, Ciro Nogueira (também já foi em cana), indicou seu chefe de gabinete, Marcelo Lopes da Ponte, para a presidência do órgão. Marcelo tem um ponto a favor: ao ouvir seu nome, o ministro Abraham Weintraub decretou: ‘Ou ele, ou eu.’ Então ele, né? Aí fica fácil. Estão sendo loteados ainda o Banco do Nordeste, o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, a Itaipu Binacional, a Casa da Moeda, a Anvisa, o Ibama, etc. Os currículos dos indicados são submetidos à Agência Brasileira de Informações, dirigida por Alexandre Ramagem, o federal predileto da família presidencial.


Ninguém sabe, por exemplo, o que disse a ABIN sobre o currículo da ativista Sara Winter, que ocupou a Coordenadora Nacional de Políticas de Maternidade do Ministério Mulheres, Família e Direitos Humanos. Deve ser assunto de segurança nacional.



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