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Ajudando Bolsonaro.

Atualizado: Mai 19

Tenho ouvido muitas versões de muitas pessoas ligadas ao presidente sobre as reais razões para a demissão de Sérgio Moro e as possíveis consequências jurídicas do entrevero.

Entendendo que são pessoas que não combinaram corretamente suas versões resolvi organizar um pequeno manual baseado no que de mais proeminente apareceu como narrativa do governo até este momento.

Segue, então, o Manual da Boa Defesa do Nosso Presidente.



Premissa:

Moro acusou o presidente de interferência na Polícia Federal, com forte pressão para a demissão tanto do Diretor Geral, quanto do Superintendente do Rio de Janeiro, com imediata nomeação do Diretor da Abin, Alexandre Ramagem, para o posto de número 1 da PF - sigla aqui usada como abreviatura de Polícia Federal.


Primeiros desdobramentos:

Naquela mesma tarde o chefe da nação, em pronunciamento público, deixou claro que é direito constitucional do Presidente da República nomear e exonerar diretores gerais da Polícia Federal.

Explicou também que Maurício Valeixo, exonerado naquela mesma manhã antes mesmo do pedido público de demissão do ministro Moro, já tinha se manifestado, por diversas vezes, sobre o fato de estar cansado e desgastado no comando da PF - sigla aqui entendida como abreviatura de Polícia Federal.

Advogados da AGU e do MPF precisam levar em conta o vídeo deste pronunciamento (https://www.youtube.com/watch?v=9R4Oj7HaqHA) especialmente aos 11:00 minutos quando nosso líder diz que "falava-se em interferência minha na Polícia Federal. Oras bolas: se eu posso trocar um ministro, por que eu não posso, de acordo com a lei, trocar o diretor da Polícia Federal?".

Chamo a atenção para esse trecho porque Jair Messias defendeu-se muitas vezes de uma suposta tentativa de interferência na Polícia Federal, sem nunca deixar claro que tudo o que o preocupava naquele momento era a sua segurança pessoal e a de seus filhos, especialmente quando no Rio de Janeiro.

Também na declaração escrita, lida após os 40 minutos de declarações informais e espontâneas, feitas com muita emoção e franqueza, o presidente insistiu no ponto de seu direito constitucional da troca do comando da Polícia, sem nunca explicar de uma vez por todas que o problema que mais o afligia era a da sua sofrível segurança pessoal, bem como a de seus filhos, notadamente no Rio de Janeiro.

Aproveito aqui para também sugerir que os doutos advogados passem um pente fino ao longo de todo o vídeo para se prepararem para a eventualidade de alguém perguntar em juízo por que Bolsonaro muitas vezes usou a sigla "PF", sendo também muitas vezes - 100% das vezes seria mais correto dizer - como abreviatura para Polícia Federal.


Depoimentos:

Seguindo nossa narrativa temos então os depoimentos da última semana, esses ainda mais importantes de serem alinhados, de modo a que todos estejam na mesma página.

Bolsonaro nunca falou a "palavra" Polícia Federal.

Falou PF, o que, não obrigatoriamente tem a ver com Polícia Federal.

Bolsonaro, como já dito, estava muito irritado com a baixíssima qualidade da sua segurança pessoal, bem como a de seus filhos, especialmente no Rio de Janeiro.

(Acho que aqui, doutores, seria importante termos alguns exemplos de quão ruim era o serviço prestado.

Qualquer barraco ajuda. Algo como guardas que falam no celular o tempo todo com as namoradas e negligenciam a atenção a potenciais esfaqueadores ou, quem sabe, seguranças faltosos que, quando comparecem ao trabalho, chegam com cheiro de cachaça e tomam intimidade com o presidente ou seus filhos, projetando em falas pastosas frases do tipo "Fala meu Capita", ou "Tudo hang ten, Carluxinho?".

De todo modo, aquele negócio da promoção dos seguranças, trazida pelo Jornal Nacional, também deve ser rebatido com o argumento de que aí mesmo é que o negócio destrambelhou, sabe como é que é segurança de presidente, né? Já é tudo folgado normalmente, ainda saca que mesmo sendo odiado pelo chefe vai rolar promoção de qualquer jeito, desmoraliza o plano de incentivo por meritocracia e bonificação variável que o chefe tanto queria implementar. Enfim, a pensar, doutores).


Recapitulando:

Bolsonaro nunca falou a "palavra" Polícia Federal.

Falou PF, mas o que queria mesmo era que trocassem sua segurança pessoal e a de seus filhos, especialmente quando no Rio de Janeiro.

E Augusto Heleno, erra ao afirmar que Bolsonaro disse que tinha gente querendo foder (desculpando o termo jurídico) os filhos, apenas para dar um exemplo!...

Vejam então os lençóis em que está o presidente.

Ele manda indiretas, diretas, xinga e se descabela na certeza de que alguma boa alma está entendendo seu desespero, sua urgência na troca de sua segurança pessoal - e a de seus filhos, especialmente no Rio de Janeiro, onde querem foder eles.

Enquanto isso o general acha que era só um exemplo, vê se pode?

Provavelmente foi nessas que ex-juiz, oportunista e mau caráter, como já dizia o Lula, também aproveitou pra surfar a onda e misturar os canais.

Sentiu a chance e quis sair de gostosão, fazendo escarcéu e juntando assuntos que nunca estiveram conectados.

Claro que demitir o Valeixo e o Superintendente do Rio (estamos falando de PF - aqui usado como uma sigla para abreviatura de Polícia Federal) associado à tentativa de nomear justo o Ramagem, foram coincidências que não ajudaram, mas fazem parte do dia a dia de um comandante democrata de uma república sólida orientada pelos princípios da verdade e da moralidade.


Resumo final:

O Presidente nunca falou em Polícia Federal.

Falou em PF.

Trocou todo o comando da Polícia Federal no dia seguinte, mas foi coincidência.

Ele reclamou do fraquíssimo desempenho dos seus seguranças, bem como os de seus filhos, especialmente no Rio de Janeiro.

O General Heleno está gagá.



Moral do Manual:

Quando um presidente é muito gente boa, bonachão, simpaticão e democrático, trepa.

Como é difícil trocar os seguranças dele e dos filhos, especialmente no Rio de Janeiro.





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