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Alta tensão no baixo clero

Atualizado: Fev 19

Ontem, as 22h, a Polícia Federal prendeu, em sua casa, o deputado Daniel Silveira, do PSL do Rio de Janeiro.

Bolsonarista de carteirinha, Silveira é velho amigo da polêmica. Foi ele quem quebrou a placa de rua em homenagem à vereadora do PSOL assassinada, Marielle Franco.

Desta vez o mandado de prisão veio assinado pelo ministro Alexandre Moraes do STF.

A razão foi um vídeo publicado no YouTube pelo deputado, descendo a lenha no STF, bem ao estilo Weintraub, recheado de ofensas, acusações sem provas e grosserias em geral.

O novo presidente da Câmara, Arthur Lira, foi informado da prisão minutos antes. Perguntou se não havia uma forma menos radical para tratar do assunto, mas o mandado de prisão já havia sido emitido.

Lira, ele também réu no STF, informou que tratará do caso com serenidade, enquanto Daniel Silveira gravava outro vídeo ofendendo o STF e esfregando na cara dos ministros que tem "prerrogativa".

Disse ele em ameaça ao ministro Alexandre Moraes: "Ministro, quero que você saiba que você está entrando numa queda de braço que não pode vencer".

Essa frase, de todo esse imbróglio, é a mais importante.

Porque essa não é apenas uma prisão, não importa quem tenha razão.

Essa é uma declaração de guerra.

Um soldado avançado de Bolsonaro foi preso e agora cai nas mãos de Arthur Lira, outro bolsonarista, o desfecho da situação.

Se a Câmara, na sessão da tarde de hoje, soltar Daniel Silveira, vão sapatear em cima do STF.

Se o mantiverem preso, vão fraquejar no apoio ao seu líder supremo, o presidente.

Mais do que uma simples prisão, ontem e hoje estamos subindo mais um degrau na escalada de conflitos entre os 3 poderes, alimentada por Bolsonaro de há muito.

Não importa o que aconteça, Bolsonaro vence.

A tensão resultante é tudo que o presidente quer.

Em sua visão autoritária, de pequeno-ditador, quando mais divisão entre os poderes, mais poder ele acumula.

Quanto mais conflito entre STF e Câmara, melhor para o Executivo que agora tem Deputados e Senadores nas mãos.

É de se esperar que, agora que Rodrigo Maia não apita mais nada, Bolsonaro faça como todo canalha: ao invés de agredir seus inimigos, coloca alguém para fazê-lo.

Lira, um deputado que como Bolsonaro, sempre foi insignificante membro do baixo clero, serve bem a esse papel.

Para aqueles que só queriam um governo decente, ético e honesto, vale lembrar sempre que o presidente se equilibra em dois cabos de força em curto-circuito permanente: um no Congresso, com 60 pedidos de impeachment, outro no STF com as investigações sobre as fake news (além do processo no MP do Rio sobre as rachadinhas).

Ou seja, para o resto de seu governo o presidente vai ter que se equilibrar como nunca para não morrer eletrocutado.

E equilíbrio é uma coisa que sempre lhe faltou.

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