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Amigo é pra essas coisas.

Atualizado: Abr 10

Havia chovido bastante aquele dia, principalmente à tarde.

Ainda dentro de uma loja, onde fui comprar ferramentas para jardinagem, eu calculava a famosa corridinha até o carro, que estava estacionado na rua ao lado.

Avistei uma pequena enxurrada que serpenteava o meio fio e para não encharcar meu All Star de pano, pulei para alcançar a calçada.

Quando meu pé direito chegou ao outro lado achei um pouco estranho ter pisado em algo irregular. Mas quando meu pé esquerdo emparelhou, tive a certeza que era algo muito estranho.

Os dois pés começaram a ser engolidos por uma superfície, vamos dizer, mole e gosmenta.

Era areia movediça.

Só me vinha uma coisa à cabeça: o que aquela areia movediça estava fazendo bem no começo do meu texto. Bem no início da minha história.

Nunca mais ouvi falar, nem mesmo tinha visto areia movediça em filmes recentes.

Ou seja, areia movediça estava completamente fora de moda.

Será que ela resolveu aparecer pra deixar a história meio surreal?

Bom, eu precisava sair dali, mas a chuva tinha deixado as ruas meio vazias.

As poucas pessoas que passavam ignoravam meus acenos e meus gritos.

Mas o abutre gigante que estava pousado no poste de iluminação de rua prestava bastante atenção no meu desespero.

De repente, ele alçou voo na minha direção e eu percebi que a minha história ia ter um final bem mais trágico do que eu planejava.

A chuva apertava e um relâmpago antecipou um enorme trovão. A areia já engolira metade do meu corpo.

De longe avistei uma luz vermelha piscando. Ela se aproximava de mim.

Era a luz de um drone. Eu reconheci. Era o drone do Neto.

Uma corda foi lançada, eu agarrei firme e fui içado para fora da areia movediça pelo drone do meu grande amigo Neto.

Cheguei em casa, tomei um banho e liguei pra ele agradecendo.

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