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Aperte o andar de cima.


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Foram engolidos por algum poço de elevador que é o inferno da profissão quase extinta.

Conheci vários ascensoristas no século passado.

No Grupo Oito de Propaganda, ali num prédio da Praça da República, era o seu Nuno.

Baixinho, vasta cabeleira branca e um caricato uniforme verde-oliva.

Seu Nuno subia e descia. E entre uma subida e descida, cantarolava uma quadrinha:

“De certas damas, às vezes

A barriga estica, estica;

Mas ao fim de nove meses

Tudo passa... e o Nuno fica.”

Seu Nuno passou mas a quadrinha ficou na memória de seus ilustres passageiros.Um legado.

Em outra agência, o cabineiro era Oswaldinho. Educado, gay e eficiente no trabalho. Registrava cada andar com um volteio de mão e anunciava: “ terceiro andar, andar dos lindos rapazes da criação.”

Não éramos tão lindos assim mas aceitávamos o cumprimento.

Hoje, na maioria das vezes, estamos por conta própria.

Bom momento para lembrar do conselho de Oswaldinho : “ se você sentir que vai morrer dentro do elevador, aperte o andar de cima.”

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