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Sobre as repetições. Sobre as repetições.

Atualizado: Fev 10

Hoje me caiu uma ficha. Aliás, duas. A primeira, é que os orelhões quase não existem mais, daí que ninguém mais carrega ou usa fichas, portanto, não há mais sentido em dizer “caiu a ficha” – ou seja, estou ficando velho.

A segunda foi mais doída. Minha sogra tem 86 anos. Está muito bem, disposta, alegrinha, come bem, dorme bem. Talvez a única demonstração de sua idade seja o fato de que ela anda repetindo as frases, cantarolando uma única música, recontando as mesmas histórias.

Assim, no almoço, minha filha contava que uma amiga foi estudar na Inglaterra. Eu já esperava pelo comentário de minha sogra, e ela não me decepcionou, emendando: “É, mas todo mundo que vai morar fora alguns anos, logo volta para o Brasil”. E a ficha que me caiu foi a seguinte: cada dia menos isso é verdade.

Tenho amigos que foram morar fora, trabalhar na França, Espanha, Portugal, Inglaterra, EUA: saíram daqui há cinco, dez, quinze anos. Eu esperava que, passado algum tempo, eles voltassem. Como, de fato, era o costume. Mas eles simplesmente não voltaram. Não voltaram para o Brasil. Têm uma vida melhor onde estão, mesmo longe das suas famílias (aliás, aumentaram suas famílias no Exterior), do pão de queijo e desse país tropical abençoado por Deus.

E, pelo andar da carruagem (outra expressão que entrega a idade), é pouquíssimo provável que voltem num futuro próximo. Ou mesmo num longuinho. Não com tanta violência. Não com tanta desigualdade. Não com tanta ignorância e rancor.

Minha sogra anda se repetindo. E o Brasil, insistindo nos mesmos erros, dando as costas para o seu povo, seguindo firme o seu descaminho. Que pena.

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