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Corona - Brasil X Suécia

Só em uma viagem lisérgica se poderia imaginar a Suécia de Greta Thunberg sendo comparada ao Brasil de Jair Bolsonaro. Ainda mais por Donald Trump! Aí é overdose.


Insólito em todos os sentidos, esqueçamos as diferenças econômicas, mais profundas que um fiorde. Por exemplo, enquanto aqui prega-se a homofobia, pratica-se o feminicídio e se vê kit-gay até em tabela de tabuada, a Suécia foi o primeiro país do mundo a introduzir educação sexual na grade das escolas públicas. Em 1942!


Se aqui, em pleno 2020, condena-se “Bruna Surfistinha”, na década de 50 Ingmar Bergman exibia ao mundo o lascivo “Verão com Monica”, rebatizado preventivamente pelos americanos de “Monica: a história de uma garota má”. Sem a Suécia não haveria cena de nudez nos cinemas e na TV. Nem Bruna, nem garotas más.


O estereótipo de povo liberado, pioneiro em transar no primeiro encontro e despachar o (a, x) parceiro (a, x) ainda na cama, só ficou arranhado após Susan Sontag passar uma temporada em Estocolmo pesquisando a sexualidade local.


A escritora americana concluiu que os suecos estavam mais interessados em viagens de drogas e álcool do que em chegar ao Nirvana do orgasmo, para frustração das feministas nórdicas e para alegria dos machões latino americanos, dos quais os brasileiros se ufanam de maiorais.


Aliás, na Suécia a igualdade de gênero é levada tão a sério, que a icônica rede de lojas IKEA criou um espaço para as mulheres deixarem os maridos enquanto fazem compras. Sim, além de um cercadinho para kids e outro para pets, tem mais esse daí, para os marmanjos.


Ao contrário do nosso, o sistema de assistência social da Suécia é impecável. A preocupação com o bem estar geral vai a ponto de se exigir que donos implantem chips em seus bichinhos de estimação, de modo que não existam “animais de rua”.


Aqui, a população de rua goza de tamanha "estabilidade” que deveria fazer jus a usucapião. Cães e gatos padecem tanto quanto seus desvalidos donos. Nossos "invisíveis” são bípedes e quadrúpedes.


Aí chega o coronavírus e os governantes de ambos os países contrariam o consenso científico favorável ao distanciamento social. Sequer estimulam o uso de luvas, máscaras ou de qualquer equipamento de proteção pessoal. Tudo em nome da economia e das liberdades individuais. Os números de infectados e mortos então disparam e eles entram no G-20 dos mais afetados (Brasil em 9°, Suécia em 13°).


No Brasil, substituiu-se o ministro que pregava o isolamento por um médico que, apesar de conceituado, parece politicamente lobotomizado pelo bolsonarismo.


Quanto à Suécia, ninguém mais pode ignorar que o país que nos deu Ingmar Bergman, Greta Garbo e Alfred Nobel, também nos deu Anders Tegnell.


Quem é esse cara? O epidemiologista que comanda o combate à pandemia do país. Eis o “E daí?” do doutor à BBC: “Penso que, em grande parte, conseguimos alcançar o que nos propusemos. O que não deu muito certo é o número de mortos”. Presidente, fique de olho nesse nome!


O Brasil, onde tudo acaba em futebol, anteviu uma criativa solução para adotar um isolamento que não fere tais liberdades.


Foi por acaso, mas quem não se lembra? O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, resolveu repreender Ronaldo Fenômeno, comparando sua conduta baladeira com a de seu companheiro de time, o caseiro Luís Figo.


O episódio entrou para o anedotário mundial, como conta o Fenômeno: “O Florentino me dava umas broncas. Um dia me chamou e disse: ‘Ronnie, por que você não fica em casa como faz Figo?’ Eu respondi: ‘Presi’, se eu tivesse a mulher do Figo, também não sairia de casa”.


A estonteante Helen Svedin levou a brincadeira numa boa como o marido, que ainda tirou onda: “Quando eu saio é porque a minha mulher está a dormir”.


Helen Svedin é sueca.

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