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Breve estudo sobre os vilões de comédia.

Atualizado: Abr 20







Talvez você não se lembre o porquê dos seguidores do presidente terem sido carinhosamente apelidados de Bolsominions.

Minions, isso todo mundo sabe, é o nome dos personagens amarelinhos que compõem o exército do vilão Gru, em Despicable Me (no Brasil, Meu Malvado Favorito, Universal - 2010).

Bolsonaristas viraram bolsominions, mas por obra do destino, o presidente não virou Grusonaro.

Este estudo tem a pretensão de corrigir essa injustiça.

Despicable Me, como a comédia que estamos vivendo desde a última eleição, não é para crianças apenas.

Aliás, desde muito que não existem mais comédias para crianças.

Alguém do marketing hollywoodiano convenceu os estúdios de que a criança gosta do filme, mas quem leva ao cinema são os pais.

Então todas as animações modernas são feitas para agradar aos dois públicos: pais e filhos.

Voltando à película em questão. Gru é um vilão de cartilha, que coleciona todas as características do homem mau somado à licença poética das animações, o que o faz pior ainda.

Sua obsessão é roubar a Lua.

Um dos melhores exemplos é que Gru tem um tapete de urso na sala.

Urso panda.

Um gênio quem pensou nisso.

Não basta ter um tapete de urso para ser mau. Tem que ser de urso panda.

Gru é, então, um vilão exagerado pelo humor dos roteiristas, uma receita que está longe de ser inédita no cinema, mas que não era tão comum no Palácio do Governo.

Nossos vilões presidentes, Médici, Geisel, Figueiredo, não tinham nada de engraçados.

Eram vilões sem nenhuma graça.

Vilões proibidos para menores.

Grusonaro, é diferente.

Desde sua campanha, foi sempre permeado por frases de tamanha maldade, que só podem ser interpretadas, por quem tem um mínimo de inteligência, como frases de humor.

Negro (com o perdão do preconceito), mas humor.

Cito algumas, que fazem concorrência pau a pau com um tapete de urso panda:


"O erro da ditadura foi torturar e não matar" - (2008 e 2016)


"[O Brasil] só vai mudar...matando uns 30 mil, começando com o FHC... Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente." - (1999)


"Vamos fuzilar a petralhada aqui no Acre" - (2018)


"Morreram poucos. A PM tinha que ter matado mil" - (sobre o Massacre do Carandiru, 1992)


"... prefiro que [meu filho] morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo." - (2011)


E sobre o coronavírus:

"Não é uma situação alarmante" - (Janeiro, 2020)

"Uma pequena crise... muito mais fantasia, o coronavírus... " - (Março, 2020)

"Depois da facada não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar." - (Março, 2020)


Enquanto Gru, da animação, quer roubar a Lua, Grusonaro tem como ideia fixa a morte.


A morte de inimigos políticos.


A morte, para ele, veja que divertido, é sempre justificada por um bem maior, que ele mesmo decidiu.


Morte aos "subversivos" da ditadura.

Morte aos adversários políticos.

Morte aos petistas.

Morte aos criminosos.

Morte aos homossexuais.


Para Grusonaro, a morte é sempre um meio de alcançar os objetivos.

Os fins sempre justificarão os meios.

Mesmo que o meio seja a morte.

Grusonaro está sempre em guerra.


Os roteiristas dessa comédia de humor negro que estamos vivendo sabem disso.

Por isso as falas de Grusonaro são sempre tão coerentes.


Hoje, o objetivo maior do nosso vilão favorito é manter o país trabalhando e a economia crescendo (?) como no ano passado.

Como se não houvesse pandemia.

Então não faz sentido ficar em casa.

Não faz sentido defender o isolamento.

Não faz sentido o ministro da saúde tenha um discurso alinhado com a Ciência e o resto do mundo.

Não se o preço será apenas a morte de um punhado de velhinhos.


Grusonaro é o melhor personagem de ficção que esse país já criou.


Termino aqui com algumas sugestões para os roteiristas de nosso presidente.

Singelas ideias que, acredito, poderiam tornar essa comédia ainda mais engraçada.


1. Já que a maioria dos que devem morrer são os idosos, que tal se Grusonaro suspendesse o pagamento de aposentadorias? Velhinhos morreriam de fome e não entrariam na estatística do coronavírus!


2. E se Grusonaro, em rede nacional, injetasse sangue contaminado no braço? Como tem histórico de atleta, não morreria e, assim, comprovaria que o coronavírus é um exagero da imprensa.


3. Que tal se Grusonaro proibisse homossexuais de cumprir o isolamento? Pense. Em poucos meses coronavírus seria considerada uma DST!


4. Mais uma: Grusonaro poderia proibir os exames de coronavírus o que derrubaria as estatísticas e impediria a proliferação do vírus. Pelo menos nas estatísticas oficiais.


5. Outra: já está mais do que na hora de distribuir a todo brasileiro uma dose de hidroxicloroquina. Para que esperar ficar doente se já podemos tomar o remédio?


Mais que um filme, o Brasil virou um seriado.

E Grussonaro é um Walter White em potencial.

Nessa segunda temporada está se tornando um personagem antológico.

O que deve nos encher de orgulho, porque o mundo vai morrer de inveja de como conseguimos fazer sucesso sem precisar de superproduções.

Um personagem criado por cada um de nós.

Agora é correr pro abraço.



Nota: Na imagem: Gru - Despicable Me, Steve Carell; Dr. Evil - Austin Powers, Mike Meyers; Lord Farquaad - Shrek, John Lithgow; Megamind - Megamind, Will Ferrell; Jair Bolsonaro - Brasil, himself.

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