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Cabelos da cabeça.

Não confio em cabelos.

Especialmente, nos da cabeça.


Cabelos, sim.

Os mesmos cabelos que inflaram minha autoestima quando jovem.

Que emprestaram um grande valor ao meu conjunto de atributos físicos na época mais efervescente da minha vida.

Agora, me apunhalam pelas costas, no auge da minha vida madura.


Lembro bem. Nasciam, cresciam. Voluptuosos e brilhosos.

Hoje? Mal nascem.


Ó traidores fios capilares.

Surgem, agora, em tufos amorfos na minha cabeça.

Deixando espaços enormes num couro que já foi cabeludo.


Como pequenos partidos políticos formam grupelhos pequenos, desorganizados, desprezíveis.

Dispersam na Sapucaí sobre meu crânio.

Tenho que uni-los com as pontas dos dedos.


Ó filetes de pêlo, hoje, tão pouco confiáveis.

Em alguns amigos queridos, simplesmente somem de suas cabeças.

Mal posso vê-los na parte inferior de suas nucas.

Eles, os amigos, coitados, mal podem alcançá-los.


Somos solidários, acreditem. Eu e meu cocuruto baldio.

Não se iluda, jovem. Eles vão te abandonar.


Viva os pêlos do nariz e da orelha!

Estes sim, fiéis até o fim da vida.

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