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Catecismos pornôs: João Cavalo e as Coroas Taradas.





O chamado centrão da cidade de São Paulo já foi só o centro.

Ir ao centro tinha um significado especial. Você saia dos seus limites, dos limites do seu bairro, então só o lugar de moradia, para um mundo diferente.

A partir da Praça da Sé, ainda com o majestoso Palácio Santa Helena, o caminho era certamente a rua Direita já carente do charme das Lojas Etam, por exemplo. O comércio começava a ser pesado com as Lojas Americanas e Eron Tecidos. Depois a luminosidade da Barão, de Itapetininga, o charme do Fasano, Vienense, cinemas da São João, da Ipiranga, a elegância da Vieira de Carvalho.


Mas o centro exibia também o seu lado mais áspero e obscuro, porém não inóspito,

na Duque de Caxias, Aurora, Santa Ifigênia, Vitória, Aimorés, ícones da prostituição.


Como atividade colateral, entre os treme-tremes, botecos, becos, sombras, surgiram os Vendedores de Catecismos. Eles percorriam a chamada boca e discretamente ofereciam revistinhas de sacanagem aos cidadãos que furtivos caminhavam pela região.


Populares eram os catecismos do imortal desenhista Carlos Zéfiro, um constante estímulo à imaginação do seu distinto público com títulos como A Primeira Vez, Minha Vida no Convento, Lasciva, A Esposa do Coronel, A Fogosa, A Viúva, Domada pelo Sexo.



Esses Vendedores - responsáveis por colocarem Zéfiro no hall da fama da sacanagem - não existem mais. A profissão é tão anacrônica quanto a de ponta-direita. É uma pena. Eles levariam à loucura os atuais donos do poder.

Queria ver Bolsonaro e Damares proibirem João Cavalo e as Coroas Taradas.


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