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Covid presidencial

Atualizado: Jul 8

O presidente está com COVID-19.

Na entrevista em que fez a bombástica revelação, o presidente fez uma afirmação gravíssima.


"Tendo em vista esse meu contato com o povo, bastante intenso nos últimos meses, eu achava até que já tivesse contraído e não percebido - como a maioria da população brasileira que contrai o vírus não percebe o problema, a contaminação."

Ora, se Bolsonaro achava que tinha se contaminado no passado, então em todas as oportunidades que recentemente foi visto apertando a mão de militantes, em padarias sem usar máscaras, estava consciente de que poderia estar colocando a população em risco.

Não parece ser um problema para o presidente.

Sempre que foi confrontado, suas respostas foram apenas focadas no risco a que se expunha, nunca no risco ao qual expunha seus seguidores.

Se coloca como um herói.

Um general no front, exposto aos tiros, sem se dar conta de que esse mesmo general poderia estar atirando em seu próprio pelotão.

É bem provável que, dado ao seu histórico de atleta, a doença não se agrave.

Mas não deixa de ser um sinal muito importante para boa parte da população que ainda acreditava que a contaminação estava deixando de ser uma ameaça.

O presidente foi, até hoje, o principal "formador de opinião" dessa narrativa tão perigosa.

A narrativa que nos deu, por exemplo, o vídeo em que o sujeito no Leblon neste final de semana, demonstrava sua alegria por ver as pessoas nos bares, sem máscaras, afirmando que o coronavírus era coisa do passado.

Dizem os especialistas que para que o vírus se torne inofensivo sem uma vacina, é necessário que ocorra a imunização de rebanho, onde ao menos 70% da população já tenha sido contaminada.

Se multiplicarmos por 6 os números oficiais, que é o que imagina-se que sejam os contaminados de fato, chegaremos a um número próximo de 10 milhões de brasileiros. Isso dá 4% da população.

Ou seja, estamos muito, mas muito longe da imunização de rebanho.

Por isso abrir o país agora é uma irresponsabilidade.

Não sou do time que quer que o presidente tenha seu quadro agravado.

Assim como não era do time que queria que o Lula morresse.

Uma coisa é discordar, mesmo que veementemente de alguém.

Outra, bem diferente, é desejar sua morte.

Mas quem sabe o presidente ter sido contaminado sirva de alerta para quem comprou sua irresponsável narrativa.

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