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Diário de um Confinado #4

Nunca mais waze te levando a caminhos piores.


Nunca mais multas a 42km/h no radar de 40Km/h.


Nunca mais taxista freando pra pegar farol vermelho.


Nunca mais assalto no farol vermelho.


Nunca mais ameaça de flanelinha.


Nunca mais perder o papelzinho do estacionamento.


Nunca mais motoqueiro chutando seu retrovisor.


Nunca mais desviar de entregador de panfleto.


Nunca mais panfleto.


Nunca mais estresse pra não perder o voo.


Nunca mais voo.


Nunca mais desviar de voluntários do Greenpeace na calçada.


Nunca mais jorradores de perdigoto na fila do quilo.


Nunca mais restaurante a quilo.


Nunca mais o constrangimento de ver aquele mendigo fuçando na lata de lixo na esquina.


Nunca mais o mendigo na esquina.


Nunca mais perder o guarda-chuva.


Nunca mais gente inconveniente berrando na mesa ao lado.


Nunca mais mesa ao lado.


Nunca mais vendedora esnobe na loja chique do shopping.


Nunca mais pipoca meio doce meio salgada na frente do teatro.


Nunca mais teatro.


Nunca mais alunos dormindo na sala de aula.


Nunca mais gente falando no cinema.


Nunca mais cinema.


Nunca mais a música ruim daquele bar em frente à faculdade.


Nunca mais encharcar o sapato na poça d’água.


Nunca mais poça d’água.

Nunca mais sorvete de casquinha na beira da piscina.


Nunca mais inalar a fumaça preta da Kombi velha ao lado.


Nunca mais “vai graxa aí, doutor”?


Nunca mais gente mal educada jogando papel na rua.


Nunca mais rua.


Nunca mais.



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