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Dinheiro na mão

Atualizado: Jun 21

O Jornal Nacional ‘denunciou’ Flávio Bolsonaro por pagar, em grana, a escola dos filhos.


Raios, e se fosse cheque, qual seria a diferença? Ele não paga em dia?


Sei o quanto essas tarifas bancárias pesam no bolso, pois fui condenado por um desses Moros da vida a pagar o colégio e a faculdade da minha filha.

Não foi fácil. As tarifas bancárias que paguei mensalmente durante a vida estudantil dela: TED (R$ 3,50), boleto (R$2,90). Multiplique pela duração do maternalzinho, fundamental, do ensino médio, superior, da pós...


Na formatura, enquanto a sorridente Amanda arremessava o capelo para o alto, eu, mais contente ainda, encerrava a minha conta via bankline, livrando-me pra sempre do cheque especial, do cartão de crédito, dos boletos, dos códigos de barra, das filas do caixa eletrônico, das dicas de investimento e dos chats com o gerente.


Desde então, o meu banco é um kit de tupperware. De acordo com cor das tampas eu armazeno as moedinhas e as notas. Assim monitoro em tempo real o meu cash flow.

Tá rindo de mim, me achando um atrasado né. Pois saiba que, antes, meu cofre era um pote de sorvete da Kibon descaracterizado e que, na década de setenta, os Novos Baianos, realizavam toda a movimentação financeira do grupo a partir de uma sacola de supermercado pendurada na maçaneta da cozinha. Quem tinha punha, quem não tinha, tirava. Funcionava muito bem.


Nossos filhos devem compreender a situação financeira da família desde cedo, mas a verdade é que a maioria das criancas e dos adolescentes não têm a menor ideia do que gastamos com a sua educação.


Assim como a família Bolsonaro, eu queria ter um motorista ou um aspone a quem eu pudesse dizer: pega esse paco de dinheiro, vai no colégio da minha filha e paga. Mas, pedagogicamente, eu a obrigaria a presenciar a contagem das cédulas, o pagamento.


Na página 111 do livro ‘A criação Original’, Francisco Daudt pergunta: ‘O que queremos para nossos filhos e o que queremos para nós?’


Eu quero o Queiroz.



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