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Em caso de problemas, jejum.

O último domingo, 5 de abril, ficará registrado nos livros de História como o dia em que nosso presidente, finalmente, tomou sua primeira atitude prática para combater a pandemia:

convocou um jejum nacional.


Trágico que o mesmo presidente que insiste que a vida deve voltar ao normal; que o isolamento deve ser apenas para o grupo de risco; que a covid-19 não passa de uma gripinha, esse mesmo presidente acredite que um jejum nacional pode colaborar para o combate ao vírus.

O jejum é uma prática milenar, presente em praticamente todas as religiões. Ao não comer, o indivíduo coloca Deus acima até de suas necessidades físicas.

Os muçulmanos durante o Ramadã não comem entre o nascer e o por do sol. Os católicos tradicionais não devem comer nada além do café da manhã às sextas-feiras, na quarta-feira de cinzas e na sexta da paixão. Os budistas praticam como forma de purificação espiritual. Os judeus, no Dia do Perdão, o Yom Kippur, nem mesmo bebem água.

Cada um com a sua fé.

Apesar de me parecer uma bobagem indefensável, cada um que acredite no que quiser.

Mas a atitude contraditória de nosso presidente que com uma mão nega as evidências científicas pondo em risco milhões de brasileiros, enquanto com a outra cria a ilusão de que uma prática religiosa pode ser usada como tábua de salvação, é de uma profunda leviandade.


Um pastiche intelectual à prova de qualquer refutação.


Um governante não tem o direito de apelar para a fé ao mesmo tempo que contradiz a ciência.

Pior.


Porque sabemos todos que o presidente não está nem aí para essa gripinha.

Quer apenas que a economia volte a andar como antes, sem ter se dado conta que o mundo nunca mais vai ser como antes.

E quer, claro, agradar a bancada evangélica e os milhões de brasileiros enganados diariamente por esses pastores pilantras.


Não acaba aí. Na esteira desse papelão do final de semana, ontem o presidente protagonizou outra paspalhice ao ameaçar demitir o ministro Mandetta e ter que voltar atrás, dizem, que pressionado pelos militares.


Militares que, segundo matéria do jornal Valor há duas semanas, se articulam para convencer o presidente a renunciar dada a quantidade de problemas que ele é capaz de gerar.

Para ele e para o país.


Duvido que consigam.


Mesmo porque, na última hora, o presidente faz um jejum e, pimba, todos os problemas se resolvem.



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