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Está tudo aí. Cuspido e escancarado.

Há uns dias, escrevi sobre minha teoria de conspiração.

A de que "alguma coisa está acontecendo", um eufemismo para "o presidente está armando um golpe para instituir uma ditadura".

Otimistas não acreditam e estão sempre prontos para encontrar um paninho para passar.

Eu, teorista conspiratório, incluo novas indicações.

Ou melhor, vou colocar em ordem as peças desse quebra-cabeça e você decide se faz sentido.


Começa com Bolsonaro expressando, durante anos, antes de ser presidente, que o Congresso não funciona. Que se fosse presidente, a primeira coisa que faria seria fechá-lo. Que não houve ditadura militar no Brasil e por aí vai.

Então vamos admitir que o presidente tenha essa intenção e essa personalidade ditatorial.

Para fazê-lo, esse seria um bom momento histórico.

O país odeia a esquerda.

Lula está solto.

O STF investiga seus filhos.

Basta, então, criar a narrativa de que é a esquerda quem tem a intenção de criar uma ditadura.

Mais que isso.

Hoje, no Estado, Mourão disse que as manifestações contrárias ao governo que ocorreram domingo são "incentivadas por movimentos internacionais".

Uma óbvia mentira que apenas tenta resgatar o medo de Cuba e da União Soviética em 64.

Ou você realmente acha que a Gaviões foi às ruas com dinheiro do Putin? Ora por favor.

O texto de Mourão é, portanto, apenas uma forma de dar apoio à narrativa do presidente de que estamos ameaçados pela esquerda.

Uma esquerda que, convenhamos, mal atua hoje.

Mas ok.

Temos o momento e criamos o inimigo.

Só que para fec