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Está tudo aí. Cuspido e escancarado.

Há uns dias, escrevi sobre minha teoria de conspiração.

A de que "alguma coisa está acontecendo", um eufemismo para "o presidente está armando um golpe para instituir uma ditadura".

Otimistas não acreditam e estão sempre prontos para encontrar um paninho para passar.

Eu, teorista conspiratório, incluo novas indicações.

Ou melhor, vou colocar em ordem as peças desse quebra-cabeça e você decide se faz sentido.


Começa com Bolsonaro expressando, durante anos, antes de ser presidente, que o Congresso não funciona. Que se fosse presidente, a primeira coisa que faria seria fechá-lo. Que não houve ditadura militar no Brasil e por aí vai.

Então vamos admitir que o presidente tenha essa intenção e essa personalidade ditatorial.

Para fazê-lo, esse seria um bom momento histórico.

O país odeia a esquerda.

Lula está solto.

O STF investiga seus filhos.

Basta, então, criar a narrativa de que é a esquerda quem tem a intenção de criar uma ditadura.

Mais que isso.

Hoje, no Estado, Mourão disse que as manifestações contrárias ao governo que ocorreram domingo são "incentivadas por movimentos internacionais".

Uma óbvia mentira que apenas tenta resgatar o medo de Cuba e da União Soviética em 64.

Ou você realmente acha que a Gaviões foi às ruas com dinheiro do Putin? Ora por favor.

O texto de Mourão é, portanto, apenas uma forma de dar apoio à narrativa do presidente de que estamos ameaçados pela esquerda.

Uma esquerda que, convenhamos, mal atua hoje.

Mas ok.

Temos o momento e criamos o inimigo.

Só que para fechar o Congresso e o STF, é preciso força.

E Bolsonaro não é bem visto pelo Exército.

Foi expulso da corporação.

Tem uma parcela de generais que o apoiam, é verdade, mas dificilmente teria apoio suficiente para um golpe.

Então precisa do apoio de outras instituições que tenham o poder de enfrentamento e repressão que seria necessário para um golpe.

Três atitudes indicam de onde o presidente acredita que pode buscar esse apoio.

A primeira, foi a fala sobre armar a população, na reunião de 22 de abril, combinada com a medida que ampliou a compra de munição de 200 unidades por ano para 500 por mês.

A segunda, sua obsessão em ter o controle sobre a PF e a mudança de dezenas de lideranças realizada pelo novo diretor do orgão, seu apadrinhado.

Finalmente, agora o presidente informa que deseja criar o ministério da Segurança Pública.

Para que?

Para trazer para si o controle das Polícias Militares de todo o Brasil, que hoje estão nas mãos dos governadores dos Estados, nos moldes do que fez o Exército durante a ditadura.

População armada, municionada, Polícia Federal e Polícias Militares sob seu comando.

Está formada a milícia paramilitar (e militar) que o presidente necessita.

Evidente que Bolsonaro não está sozinho em seu plano.

Olavo de Carvalho, como informou Marco Antonio Villa, agora dá cursos gratuitos para membros da Polícia Militar.

Sim.

As teorias do astrólogo, guru do presidente, e que tem dezenas de asseclas infiltrados no governo, agora transmitidas diretamente para os policiais militares.

Some-se aos filhos do presidente testando as águas ao falar do AI5 ou de como seria fácil fechar o STF.


Falta só acender o pavio.

E o isqueiro está nas mãos do Congresso, com mais de 30 pedidos de impeachment e do STF, com investigações envolvendo o filho zero à esquerda do presidente.

Basta uma dessas duas casas avançarem com sua pólvora e pronto.

A teoria está toda aí, para quem quiser ver.

Só falta a conspiração.

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