Buscar

Filosofia barata.

Otto Lara Resende já dizia que "Um alemão parado já é por si só meio filósofo". Nosso colega Impostor, o Marcio, não à toa chamado de Alemão, se perguntava outro dia "Como seria ser eu não mesmo". Eu também, num mergulho mais raso do que o dele, passei por essa questão existencial.

Funcionava em duas etapas. Na primeira, eu identificava a expectativa do outro. Na seguinte, tentava, caprichava, dedicava-me a atendê-la. Com o exercício incessante ao longo do tempo, modéstia à parte, fui me aprimorando até chegar perto da perfeição. Tornei-me o Zelig de saia, um camaleão humano. Escapei de descargas elétricas e drogas que, no filme de Woody Allen, tentam tratar a misteriosa anomalia psíquica do personagem. Aqui não há enigma, só um mimetismo grosseiro e superficial para garantir a segurança de não sentir-me excluída e, ao contrário, ser aceita, até amada pelos outros através das suas imagens espelhadas. Pouca gente desconfiou. Os mais narcisistas, apaixonaram-se. Era exaustivo, mas gratificante. Quando o exaustivo ultrapassou o gratificante, a preguiça desse trabalho todo já não valia virar-me do avesso e as conquistas não valiam o território conquistado, virei o espelho para mim mesma e encarei. E não é que a figura que me desagradava era agora, na coragem, amiga? A auto-ajuda funciona em duas etapas. Primeiro, identifico a minha expectativa, ajusto na medida do que me fará feliz e em seguida, tento, capricho, dedico-me a atendê-la. Modéstia à parte, estou longe da perfeição.

97 visualizações3 comentários

©2020 by Os Impostores