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Eu tinha muita coisa para dizer.

Mas esqueci.

Então vou dizer coisas que eu não ia dizer.

Pra ver se eu lembro das coisas que eu tinha para dizer.

Que eram muitas, coisa pouca não.

Tem coisa que fica martelando a cabeça da gente que se mete a escrever, assim, dentro do carro, na cama durante o sono leve do meio da noite, no banho, no papo com alguém no telefone.

Aí você diz pra você mesmo – ou pelo menos, eu digo pra mim – isso dá uma boa história para postar no facebook (se eu quiser que bastante gente leia) ou aqui mesmo (se eu não estiver preocupado em dizer coisas que pouca gente vai ler: e menos ainda vai pressionar o coraçãozinho. Mas isso é história pra outro dia; não tem nada a ver com eu ter esquecido o que eu ia dizer, embora eu também esteja escrevendo aqui porque é uma boa vingança: a pessoa esquece de ler, esquece de apertar o coraçãozinho? Então também esqueço de escrever o que eu ia escrever).

Voltando ao tema que eu esqueci.

Eu sei que não era sobre o Bolsonaro, porque desisti de escrever sobre o Bolsonaro.

Eu não mereço ele e ele não me merece.

E quem gosta dele não vai mudar de opinião por causa de um ou dois textos que eu escrevi – mesmo quando estou inspirado e até me lembro sobre o que eu ia escrever.

Não é sobre o Vasco, que este ano decidiu brigar lá no alto da tabela ou está enganando tão bem que até que está embaixo dele decidiu colaborar.

Porque eu não escrevo sobre futebol aqui.

Muito menos sobre um clube específico, ainda que seja o meu, o que é um atestado de qualidade que não é de se jogar fora (pronto, falo mesmo: ninguém tá lendo mesmo).

Também não é sobre o Witzel nem sobre o Crivella.

O Crivella é um tipo interessante.

Um bandido treinado nas hostes da Gangue Universal, que já enganou tanto otário pobre coitado no Brasil e no mundo, que foi designado para estender os tentáculos criminosos sobre o poder – e o dinheiro – público.

A gente parece não se tocar, mas se a eleição desse cara não representava, já há quatro anos, a absoluta indigência da nossa política (incluindo, com louvor, o nosso eleitorado), então eu não sei o que isso significaria.

A religião misturada ao Estado; o crime organizado associado à política de dentro das câmaras municipais, estaduais e federais; a milícia, bem, eu não vou mais falar de Bolsonaro, como já disse, mas as milícias...

Fui para o Rio por alguns dias.

Também não era esse o assunto.

Fui de carro, com a família. Seis meses que não íamos.

Visitei minha mãe e meu pai, minha sogra e sobrinha grávida, minha filha, meu genro e o meu neto lindo, o Bento – esse eu vi quase todo dia. Joga muita bola, acreditem. Depois posto o video aqui, mesmo sendo de futebol e torcendo para que ele cresça e jogue no Vasco. Não acredita? Estou te dizendo: nunca vi uma criança de um ano e dois meses chutando de primeira, peito de pé, com força, para o lado que quer, tomando distância e acertando a passada – juro! – nunca vi isso na vida.

Voltando ao assunto que não era o assunto dessa crônica.

Pessoas nas praias... velho!... pessoas nas praias como se não houvesse amanhã.

Nem tivesse havido ontem.

Amontoadas, sem máscaras, na areia, por horas e horas, contrariando a determinação da Prefeitura sobre o tempo de permanência... enfim, chega a ser cômico.

Imaginem se um governante, qualquer um, mas ainda por cima sendo o Crivella (ó ele de novo se metendo no assunto) vai conseguir determinar quantos e como vão à praia em pleno Rio de Janeiro de 32 graus.

Como falei disso, me lembrei de outra coisa que não era a que eu ia falar, mas que vale a pena comentar.

Crivella de novo.

Declarou que vai liberar público nos estádios de futebol (futebol de novo?).

O argumento.

Preparados?

Assim ele tira as pessoas das praias.

Repetindo: assim ele tira as pessoas das praias.

Sacomé, né?

O pessoal vai à praia porque não pode ir no Maracanã.

Quarta de noite, domingo de chuva, sábado às 5, todo mundo corre pra praia, na falta de poder se espremer em São Januário (Vasco novamente) ou no Engenhão.

Que beleza.

Enfim, vou chegando ao fim.

Não sei bem o que foi isso aqui.

Um amontoado de frases e pensamentos soltos.

Porque não lembro o que eu tinha de tão bom, tão imperdível, quase urgente, para falar.

Não.

Não tem reviralvotazinha aqui no final.

Frase de efeito pra surpreender e para amarrar o conceito.

Vai.

Pode ir embora. Coraçãozinho... hã... que pretensão.


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