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Falando série

Atualizado: 7 de Jul de 2020

Já me sentia deslocado na época de Friends, que imaginava algo assim meio ‘A turma da Mônica’ (havia uma personagem com esse nome).

Sex And the City para mim soava como uma série pornô X-rated, patrocinada por um sapateiro espanhol chamado Manolo Blahnik, que, aliás, declarou nunca ter assistido um só episódio.


Minha ignorância levou-me a fugir de qualquer rodinha onde se pronunciasse ‘got’, por sequer saber que se cuidava de um acrônimo de Games of Thrones, série que eu pensava ter sido sucedida por House of Cards, cuja continuação seria a espanhola La Casa de Papel (Manolo, de novo?).


Tornei-me um excluído. Um ‘sem-série’. Fiquei fora de debates riquíssimos entre grupos de fãs de todas as partes do mundo, da intensa troca de impressões sobre personagens, roteiros, a vida íntima dos atores, os salários milionários.


Isso para não falar das expectativas criadas em torno de novas temporadas, em contraponto ao sentimento de orfandade que acometeu diversos amigos quando viram que algumas atrações não voltariam à telinha, depois de tantos anos de fiel companhia.


Com o confinamento durante a pandemia, pensei em me iniciar nessas intermináveis ’maratonas’ de pijama, sem sair do sofá, à base de pipoca e tubaína, sem câimbras no final. Uma molezinha.


Me descobri um Usain Bolt: parava nos 100 metros. Não completei um capítulo inteiro. Minto: em uns eu dava um fast foward e em outros, bem curtinhos, eu cruzava a linha dos créditos sem trapaças. Succession, Ozark, Dark, Fauda, Homecoming, nada me segurou.


A indignação com tamanha inadaptação me tirava o sono, e eu passei a pesquisar na ciência essa minha aversão.


Após uma sessão dupla com o Francisco Daudt, topei com uma pesquisa realizada pelos Drs. Yoon Sung Hi, Eun Yeon Kang e Wei-Na Lee, da Universidade do Texas.