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Gilberto Gil, o circo e a hora de tirar o pé.

Foi no século passado, acho que foi em 93 ou 94.

Eu trabalhava como redator numa agência de propaganda.

Propaganda era uma atividade importante para o desenvolvimento da economia, até ser substituída por posts de “influencers" e “youtubers" falando sobre determinado produto ou serviço.

Mas isso é outro assunto.

A agência era a Futura, Scali, McCabe & Sloves e tinha a conta de uma ONG chamada Onda Azul.

Já naquela época, a Onda Azul fazia um trabalho de conscientização da importância da qualidade das águas do planeta.

Gilberto Gil era o porta voz da Onda Azul.

E com o objetivo de arrecadar fundos para ONG, foi organizado um show do Gil no Circo Picadeiro, que ficava ao lado da Ponte da Cidade Jardim, aqui em SP.

Se não me engano, Gil começou o show lançando uma cantora chamada Morena e depois, como de costume, fez, com sua banda, uma apresentação irretocável.

O problema é que durante o show muita gente invadiu o circo, entrando por baixo da lona, sem o controle da organização.

Gil, que provavelmente deixou suas canções mais dançantes e empolgantes para o final, começou a perceber que alguma coisa poderia dar errado.

As arquibancadas do circo eram de madeira e as pessoas pulavam freneticamente no ritmo e no entusiasmo daquelas canções.

Gil, então, prevendo uma possível tragédia, com sua sabedoria e preparo, desacelerou o show com canções mais lentas. E foi assim até o final.

Essa história me veio a cabeça nesses dias mais reflexivos.

É só lembrar que antes do Covid-19, o mundo tava a casa da mãe Joana. Que as barbaridades e as atrocidades estavam passando batido. Que o bizarro se tornava habitual e que o inferno tinha subsolo.

O Gil do nosso circo emitiu sinais.

Sinais de que a humanidade precisa desacelerar, tirar o pé, baixar a bola, diminuir o ritmo.

Senão, muito mais do que arquibancadas podem ruir.

Como hoje acordei meio místico, vamos andar com fé, que a fé não costuma “faiá".

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