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High Five.

E em meio a aprovações de ministro para o STF, que forjou currículo e que recebe 4 milhões para advogar sem assinar o nome, já que é Juiz de Tribunal no Piauí; de presidente que sofistica o método de ceifar vidas humanas demonizando vacinas e instando a turba ignorante a repetir suas deploráveis teorias conspiratórias repletas de preconceito e sanha totalitária; de cortes em investimentos para combater os incêndios – impunes – e o desmatamento – estimulado – das nossas reservas naturais; de "um manda e o outro obedece" sendo "quem manda" um capitão expulso do Exército e "quem obedece" um general que comanda a Saúde; de senador criativo explicando que guardou dinheiro na cueca para evitar que seus funcionários, que recebem salários somados de 33 mil reais em dinheiro vivo, fossem roubado pelos agentes da PF que foram à sua casa para encontrar dinheiro roubado do erário público; de perdas irreparáveis de vidas, agora tratadas como curva descendente de doença que não nos abandona, até porque não abandonamos, nós, os velhos hábitos e os velhos erros; de debate em que o cara cujas botas nosso presidente lambe impoluto e orgulhoso, onde uma mediadora faz papel de sabujo e deixa o presidente grosseiro, agora fingindo respeitar as regras, falar por muito mais tempo do que o educado – frouxo também? – candidato oponente e, mesmo sem fazer o papel que dela se esperava é elogiada pela imprensa desnorteada, sem critério e corporativista e, claro, pelo déspota cínico – maior prova, além das imagens, dos áudios e dos relógios, que de mediadora justa, muito menos corajosa, ela não teve nada; vem da doçura ingênua de uma menina, em vídeo gravado pelo Tik Tok e compartilhado pelo WhatsApp, a melhor imagem da semana.

A avó (ou mãe, desculpem se percebo errado) recolhe os braços da pequena e balança a cabeça em vergonha e desaprovação.

Mas não há que se ter vergonha alguma, muito menos desaprovar gesto tão espontâneo, delicado e positivo.

Porque é o sim, sincero e íntegro ao que lhe pareceu um convite para a amizade, ao congraçamento em tempos de afastamento social: devolvido como cumprimento, como ela talvez tenha aprendido nos filmes, na brincadeira com os pais em casa ou com os coleguinhas de classe.

Em tempos tão duros, tão obscuros, tão repletos de medo, desesperança e ódio, nada mais revigorante e cativante do que o singelo high five da menina genial.








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