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Igreja Bovina dos Limites Flácidos

Têm sido cada vez mais recorrentes as matérias e os editoriais sobre a quebra de limites no cenário político brasileiro.

Desde o impeachment de Dilma e os escândalos da Lava Jato, já perdemos as contas de quantas vezes lemos ou ouvimos a frase de que “dessa vez fulano passou de todos os limites”.

Se abrirmos o jornal em um dia qualquer serão grandes as chances de lermos algo sobre o maior escândalo de todos os tempos da última semana. Assim, vamos nos acostumando a não nos escandalizarmos mais, com nada. E na medida em que aquele limite que havia sido superado na semana passada foi novamente superado essa semana, já esperamos que a próxima quebra de limite não seja uma quebra de um limite de fato. Será apenas um novo escândalo, a ser superado nos dias seguintes.

Pois bem. O atual Presidente da República foi eleito sob a bandeira de combate à corrupção, chancelada pelo aceite do paladino da justiça Sérgio Moro como “super-ministro”. Àquela altura, o coro dos felizes repetia em uníssono que o tempo de impunidade havia chegado ao fim e que no novo governo todo mundo seria investigado.


Em suas primeiras semanas de governo, declarou o Presidente em Davos: “se meu filho errou, eu lamento como pai, mas ele vai pagar”, sob os aplausos da claque emocionada.

Após pouco mais de um ano, o paladino caiu. Caiu atirando, é bem verdade. Disse em alto e bom som que sairia porque Bolsonaro estaria tentando interferir nas investigações contra seus filhos, coisa que nem Lula ou Dilma haviam conseguido. Coisa que nem Temer, com seu cabedal político de séculos, também não conseguiu.

Só uma denúncia como essa já seria suficiente para escandalizar o mais pervertido dos seres.

Mas não.

“Tenhamos calma”, disse o séquito mais fiel. “Não nos escandalizemos ainda, às 17h o Messias descerá à terra das Lives e nos dará uma explicação sensata”.

O Messias então veio e, em meio a um discurso mezzo dadaísta mezzo Praça é Nossa, explicou:

- Eu só pedi para ter um relatório diário na minha mesa sobre as atividades da Polícia, isso lá é interferir?

"Bom, será agora que a ficha cairá e o feitiço se desfará para trazer a massa de volta à lucidez?" - pensou o mais otimista dos seres.

Como diria o filósofo Jorge Ben Jor: mas que nada.

Aí veio Jair e nomeou para Diretor Geral da Polícia Federal o chefe da sua segurança pessoal, que passou o réveillon na casa dos filhos investigados.

“Não é possível, agora basta”, pensamos nós, os crédulos.

Só não contávamos com a explicação que o nosso Jim Jones tupiniquim teria na ponta da língua:

- Indiquei sim, e daí? – disse o sábio para o povo, como se soprasse o berrante de uma nota só.

E o rebanho, convencido com tamanha argumentação, mugiu mais uma vez:

- Sim e daí?

- Vai colocar quem, lá? Um inimigo?

- E o PT, hein?

Mas ainda não é tudo. Hoje confirmou-se a informação de que muito provavelmente teremos para o lugar do - até semana passada - incólume e dono de todas as virtudes Sérgio Moro, o famoso quem? Rei Salomão? Madre Teresa de Calcutá? Padre Fábio de Melo?

Não, meus amigos. O nome do novo chefe da pasta responsável pela Justiça e Segurança Pública no Brasil é Jorge Oliveira, cujo maior predicado foi ter sido chefe de gabinete de Dudu, vulgo Zero 3.

Como reagiu a Igreja Bovina dos Limites Flácidos com tamanho assombro de notícia?

Com carreatas de apoio ao Messias, aos Filhos e ao Espírito Santo, amém.

Alguém aqui está escandalizado? Não fique. Serão dois trabalhos: ficar escandalizado e desficar, até o próximo pronunciamento.

Aliás, enquanto vou escrevendo esse texto, um encantamento vai me tomando e começo a ver ao longe... sim, estou vendo, estou vendo!


Só agora posso compreender, Senhor, como pude ter ficado cego todo esse tempo?

Hipócritas, puritanos, bando de vendidos à Nova Ordem Mundial!

Nunca serão capazes de entender o que é ter sido tocado pela luz do corpo fechado de Jair!


Sim, sim, estou fechado com Jair!

Aleluia, irmãos!

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