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Infância

Atualizado: há 7 dias

Neste Dia das Crianças substitua os tradicionais presentes e os brigadeiros por uma reflexão.


Como se estivéssemos no Dia do Índio ou no Dia da Árvore diante dos últimos remanescentes dos Warazúkwe à sombra do último pé de jequitibá, olhemos as crianças como o que também são: seres em extinção.


O problema é a internet, território muito mais complicado de se demarcar do que as reservas florestais, ao qual elas se lançam com a cupidez e a irresponsabilidade de madeireiros e garimpeiros.


Há muito deixaram de usar azul (meninos) e rosa (meninas), o troca-troca de precoces nudes é o marco da iniciação sexual. Ao invés das revistas pornôs inspiram-se em sites idem.


No plano alimentar, o delivery lhes abastece com toneladas de burguers artesanais e dúzias de kinder ovo. A fase veggie não dura uma entressafra de alface crespa.


Se o ensino presencial já não as motivava, as aulas virtuais se encarregaram de expulsá-las da classe.


Para que ir a pracinha, ao parque ou mesmo descer para o play se, da escrivaninha ou do sofá, os miúdos jogam futebol, pilotam fórmula um, caçam zumbis, vestem Barbies e, lógico, fazem bullying com os amiguinhos mais distantes?


A infância não está no Mickey. Está no mouse. Não há caixa de brinquedos, bicicletas, bichinhos de pelúcia.


Há uma tela, um teclado e fones de ouvido. Interações ensimesmadas, pixels, a bunda achatada pela banda larga.


No lugar da educação familiar, o adestramento por algoritmos.


A infância micou. É um mico leão dourado solitário, arregalado e enjaulado.

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