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Invadiram minha cabeça.

Atualizado: há 4 dias

Quatro pessoas encapuzadas e armadas invadiram minha cabeça, localizada no extremo norte do meu corpo.

Os bandidos pareciam nervosos e remexeram meus miolos e neurônios em busca de algo.

Não encontraram.

Afirmavam ter informações de que havia coisas valiosas dentro daquele crânio.

Argumentei que, hoje em dia, ninguém guarda coisas valiosas no cérebro.

E que eu, especialmente, passava por um momento difícil, que mal conseguia organizar umas ideias pra escrever nOs Impostores.

Não adiantou. Continuaram remexendo tudo.

Depois de revirarem todo o hemisfério esquerdo, foram para o hemisfério direito.

Em ambos, encontraram um vazio existencial tremendo, o que os deixou ainda mais impacientes e preocupados.

Ameaçaram cortar o córtex do meu cerebelo.

Implorei que não, pois só tinha aquele.

Perguntaram o que, afinal, eu tinha de valor naquela cabeça.

Eu disse que ainda tinha um pouco de preconceito com algumas coisas, e que isso, no Brasil hoje, tinha mais valor.

Disse também que ainda me restava algumas reações violentas, principalmente, quando via meu time jogar mal.

Juntaram o que eles acreditavam ter algum valor numas sacolas e foram embora saltando pelo ouvido direito, até cair no meu ombro e eu perdê-los de vista.

Eu permaneci imóvel.

Percebei que eles levaram o que restava de preconceituoso e violento dentro de mim.

Mesmo encapuzados, consegui ver um pouco da fisionomia deles.

Pareciam 3 irmãos e o outro, mais velho, parecia o pai deles.

Bem, o que restava fazer? Procurei o DP (Departamento de Psicanálise) mais próximo para dar queixa.

Que dor de cabeça, viu?

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