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João Bidê

Atualizado: Set 5

Sem partido, Bolsonaro não carece do natimorto Aliança pelo Brasil nem de outras alianças. Tampouco de pactos, cleros (altos ou baixos). Filiar-se a que, por quê?


É um fenômeno populista. Para melhorar seu Ibope no Nordeste, ao invés de encarar uma indigesta buchada de bode, como fez Fernando Henrique na Canudos de Antônio Conselheiro, Bolsonaro posta uma live montado num jegue ou erguendo nos ombros Zé Miúdo, o vereador anão de Itabaianinha, Sergipe.


Convenhamos que é mais fácil o andar de baixo ser seduzido por um capitão que vive a pregar ‘Brasil acima de tudo e Deus acima de todos’ e que enquadra seu ministro da economia com um ‘Não vou tirar dos pobres para dar para os paupérrimos’, do que se encantar por um intelectual com pinta de lorde mastigando entranhas caprinas sob um calor de 40°.


Naturalmente, o auxílio emergencial impactará nas eleições de 2022, como o Bolsa Família na reeleição de Lula e o Plano Real na de FHC. Dilma não conta. Dilma não se explica.


Substituindo-a, Temer pavimentou o caminho do sucessor aprovando importantes reformas (trabalhista, teto), e encaminhado outras (previdência). E após se tornar refém da mala do assessor e do grampo de Joesley, Bolsonaro o resgatou. Mais recentemente, o magnânimo mandatário recobrou do obscurantismo o sinistro Roberto Jefferson. Tudo sem danos aparentes. É pouco?


E a prisão de Queiroz na casa do Anjo, as confusões de seus três recrutas Zero e a caixa de Nhá Benta de Michelle, recheada com R$89 mil cash?


Acrescente-se os mais de 120 mil mortos pelo COVID. Ahhhh, mas ele avisou de cima de um jetski que 70% da população seria mesmo contaminada. Pois é...


Redução do auxílio emergencial pela metade? Prova de responsabilidade fiscal. O PIB encolheu? É a combinação de uma maldita herança corrupta com um vírus malvado. Da primeira cuidou a Lava-Jato (que agora pode ser extinta) e do segundo cuidará a Cloroquina e a saúde de atleta da brava gente brasileira.


Rememoremos que a queda quase simultânea de um superministro (Moro) e de outro que ganhou tal status (Mandetta), jogou ambos no limbo do ostracismo e manteve Bolsonaro no top trends das redes sociais e nas manchetes dos jornais.


Não interessa o grau de inverossimilhança do que ele diz, ou o baixo nível das grosserias que profere e as incongruências que embotam seu raciocínio.


Não impressiona a probabilidade substancial de Bolsonaro ser reeleito. O que espanta é não ter sido abalada diante desses acontecimentos. Ok, ok, pode ter caído em um espasmo, mas além de o piso dos 30% de eleitores nunca ter sido rebaixado, há sinais de elevação.


O bolsonarismo é apartidário, nada tem de liberal em uma economia onde nada se privatiza. Não é conservador nos costumes mas sim nos maus costumes de seu séquito de pastores pecadores.


O problema é que até agora ninguém soube neutralizar a força de persuasão de um discurso que se reveste de tosca simplicidade: vencer os comunistas e make Brasil great again.


Soou familiar?


Nos EUA, Trump vê próxima a sua recondução a presidência em Novembro. Seu mote: barrar os comunistas e make América great again.


A diferença é que Trump já tem um oponente, enquanto aqui Bolsonaro só vê pela frente pulverização e hesitação entre seus adversários políticos.


Se é prematuro cogitar quem ele terá que enfrentar, já quanto ao resultado nas urnas, o avanço de Trump sobre Joe Biden corrobora a força do populismo de direita. A reeleição de ambos seria como uma ‘segunda onda’ desse pesadelo.


Mesmo que surja um Joe Biden tupiniquim, dificilmente ganhará a eleição de 2022. Pelo tosco piadismo de nosso presidente, periga ganhar apenas o apelido de João Bidê. E um ‘há há há’ daqueles.


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