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Jornalismo crítico


- Boa Noite.

William Bonner, cumprimenta a audiência enquanto faz arminha com os dedos.

Renata Vasconcellos sorri, simpática e repete o gesto.

Ela segue a leitura das notícias da noite.

- Presidente Bolsonaro vai para as ruas abraçar o povo.

Na tela, uma edição dinâmica e alegre mostra os melhores momentos de beijos e abraços de Jair Bolsonaro no contato direto com populares em Ceilândia.

Bonner continua o texto.

- Nosso presidente mostra à OMS, à ONU e à maior parte dos países do mundo, que no Brasil o buraco é bem mais embaixo e que não precisamos de quarentena para debelar o vírus do morcego chinês. Sem medo de ser feliz, o Capitão fez selfies, beijou e abraçou pessoas e estimulou mais brasileiros a não se intimidarem com o vírus da nova gripe chinesa que chegou ao Brasil.

Mais uma vez ele classificou como “histeria e pânico” as políticas covardes dos países estrangeiros, afirmando que eles deveriam encarar o coronavírus de frente ou “como homens” em suas próprias palavras. Pesquisa do Datafolha sobre as declarações do presidente apontam coisas que não vêm ao caso.

Corte para a bancada e Vasconcellos diz com firmeza:

- E para quem ainda não entendeu o insight que gerou a visão de Jair Bolsonaro, uma má notícia: no combate ao vírus asiático, Belarus e Nicarágua também decidiram seguir a estratégia do Brasil – aliás, estratégia pessoal de Bolsonaro, já que os técnicos e até o ministro da Saúde, além de alguns governadores oportunistas, preocupados apenas com as próximas eleições, e com claras tendências ideológicas à esquerda, como João Dória, Wilson Witzel e Ronaldo Caiado, para ficarmos apenas em três exemplos, insistiam na repisada tese do confinamento horizontal. Achismos de cientistas à parte, Belarus e Nicarágua já são os dois primeiros países a se juntarem a nós, copiarem o exemplo do Brasil e se decidirem por não trancafiar seus cidadãos ou paralisarem suas economias.

Sobre este assunto, quem tem mais detalhes, direto de Brasília, é a jornalista que gosta de dar o furo: Patrícia Campos Mello. Patrícia, primeiramente bem-vinda à Rede Globo.

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