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Meu avô candidato e a espingarda da minha avó.

Meu avô era candidato a prefeito de Itápolis.

Naquela época era chamado de prócer do PSD.

Combatido, é claro, pelos udenistas.

Os comícios eram realizados na Praça da Matriz. O candidato aboletava-se no coreto e falava para os eleitores enquanto crianças agitavam cartazes em troca de um gelado da Sorveteria Sonia.


Naquela noite seu Samuel Udenista, desembestado, fez várias críticas ao Francisco Porto que, longe do centrinho, afundava as botas na lama das fazendas da vizinhança.

Alguém correu a avisar minha avó que chamavam o Chico Porto de corrupto e outros nomes.

Dona Cotinha pegou a espingarda, sempre à vista atrás da porta da cozinha e saiu pisando duro na terra vermelha.


Passou rápido pela Casa Gianotti, vendedora dos calçados Clark e chegou ao Largo da Matriz. Levantou a espingarda e gritou “quem ofendeu meu marido que se apresente”,

veio do palanque a voz baixinha de Samuel Udenista “fui eu dona Cotinha, mas foi no bom sentido.”

Isso se chamava impor respeito.

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