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Meu discurso na ONU.

Atualizado: Set 25

"Senhoras, Senhores, Membros da ONU, Jornalistas, Colegas Chefes de Estado de todas as Nações, Povo Brasileiro.

No último ano estive metade do tempo envolvido com cuestões de gastar dinheiro e aproveitar que finalmente pude descansar após um ciclo de 25 anos à frente da minha agência.

Como todos sabem, eu, que sou úmido no centro e seco nas bordas, fui queimado pelos franceses da Publicis.

Esse povo não toma banho e quer dar uma de limpinho pra cima de moá.

Pardon, meciês, mas não vão se criar às minhas custas.

Enfim, passado o momento crucial de minha saída, fui viver a vida, porque eu também sou filho de Deus acima de tudo.

Fui pra Portugal com minha filha Zero 3, que é cantora nas horas vagas (até porque, se é artista, só tem hora vaga: artista e fraquejada, vejam vocês).

Como eu dizia, fui com a menina para Portugal – não, não é piada, hahahaha – porque um rapaz amigo dela, também vagabundo, cantor, estava fazendo uns shows nas terras dos nossos patrícios descobridores; aqueles que tiveram a primeira chance de limpar a área, mas fizeram um trabalho bem meia-boca, deixando ainda um monte de índio, caboclo, quilombola e árvores desincendiada para alguém, em pleno século XXI ainda ter que cuidar.

Tegivess... tergiv... terziverssei... terrr... bom, saí do script, mas já estou de volta para falar do meu último ano, desde a última vez que estive aqui, contanto sobre o meu outro último ano: que, no caso, era o ano anterior ao dia do outro discurso do ano passado... bom, vocês entenderam.

De volta de Portugal até que passei um tempinho no Brasil, dando uma força pro meu filho – o Zero 4, só que macho – na produção do filme que ele tinha que aprontar para estudar nos EUA (aí sim, Trump na cabeça. Embora, sei lá o que acontece nessa casa, meu filho, inteligentíssimo, que podia fazer engenharia, física espacial, medicina, enfim, ter uma profissão, também decidiu ser vagabundo e vai ser cineasta, vê se eu posso com isso?).

Mas o moleque é tão bom pra esse negócio aí que não dá dinheiro, muito menos no Brasil já que é uma área que é um antro de comunista que não tem coragem de ir morar em Cuba (monte de Jabor), eu praticamente só me distraí vendo o que ele fazia sem precisar da minha ajuda.

Melhor pra mim que também decidi ser artista, digo, vagabundo, por uns tempos.

Virou o ano e, em família, fomos à República Dominicana.

Um lugar muito bonito, embora tenha muita gente andando de moto sem capacete.

Tem que acabar isso daí.

Voltamos e, recém chegamos, veio a pandemia.

Acho que foi minha sogra que começou esse vírus.

Ela chama Márcia, então eu chamo o vírus de vírus marciano.

Direito meu.

De lá pra cá estamos em casa.

Já lavamos, já passamos, já aspiramos, já enxugamos.

Agora tá mais tranquilo porque o pessoal que trabalha lá em casa, de carteira assinada, embora eu esteja de olho no filho de dois anos de uma das empregadas (moleque tem que trabalhar, pô) foi voltando aos pouquinhos pro batente – ajuda, viu, parar com esse negócio de todo mundo em casa ser artista.

Resumindo, desde março, tem sido um ano meio merda – excuse moá – para todos nós lá de casa.

O Theo nem aula de direção conseguiu continuar.

Nem Uber dá pra ser, desse jeito.

É importante dizer que minha mulher estava errada quando disse que eu coloquei os remédios zoneados na gaveta de cima.

Deixar claro (N.R.: adoro quando falam assim, no transitivo impessoal) que sim, eu já lavei algumas vezes minhas roupas na máquina e pendurei corretamente.

Foi o Theo, ou a Nina, ou a cachorra Emília, que arrancou dali.

Só sei que não fui eu, e eu tenho sido acusado injustamente de não estar cuidando bem das coisas durante a pandemia, sendo que ninguém vê que o Fernando Canhadas e o Helinho Saboya determinaram judicialmente que quem cuida disso é a prefeita da minha residência, que, evidentemente, tem todo o interesse de desestabilizar o meu governo, me derrubar, aparelhar a casa toda, transformar a gente numa família venezuelana e acabar com a democracia onde eu mando.

Aproveitar também (N.R.: ó, de novo!) pra reafirmar que tenho sofrido de amendoimfobia, chocolatofobia e cervejofobia: Cristo tá vendo.

O que ninguém da imprensa fala mesmo é que todo mundo reclama de mim nessa casa, mas esquece dos quase mil dólares que dei pra cada um me deixar em paz e não encher o saco.

Até o ano que vem, quando pretendo contar minhas novas mentirinhas e outras originais pataquadas que demonstram que eu ando solenemente para vocês, mas através das quais mando meu recado pro pessoal lá de casa e com as quais pretendo me manter no poder, com a ajuda de Deus e, claro, da família.

Obrigado.

Beijunda."





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