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Millennials, uni-vos.

Citoyens, vouliez-vous une révolution sans révolution?

A frase antológica de Robespierre, na Revolução Francesa, é traduzida para o português, muitas vezes, como "você quer uma revolução sem sangue?".

Como é evidente, existe uma sutil diferença ente o que Robespierre disse e essa livre tradução.

Mais correto seria "Cidadãos, vocês querem uma revolução sem revolução?".

É bem provável, sanguinário como era, que quisesse dizer sangue mesmo, mas não foi o que ficou impresso nos livros de história.

A intenção do que ficou registrado foi um lembrete ao fato de que não se muda o status quo sem confronto.

Sem enfrentamento àqueles que mantém esse status quo.

Pensei na Revolução Francesa porque pensei no Iluminismo.

E pensei no Iluminismo porque temos um presidente que está nos levando de volta ao século XV.

Estamos na borda de um precipício obscurantista.

Todas as conquistas sociais dos últimos 50 anos - que, alias, foram poucas - estão sendo, uma a uma, perdidas.

As minorias, segundo esse monstro que ocupa a presidência, precisam se adaptar às maiorias ou desaparecerão.

Homossexuais, índios, quilombolas, mulheres, negros, são todos "minorias" em sua visão míope.

Isso sem falar do espetáculo de incompetência que nos impõe, e ao mundo, durante a pandemia.

Um presidente que nega a ciência como nega a história.

Bolsonaro foi longe demais.

Muito mais longe do que poderia ter ido em nossos piores pesadelos.

Ontem, com a piada sobre Cloroquina e Tubaína, mais uma vez deixou claro como politiza até aquilo que ele mesmo considera a cura da doença.

Ao dizer "para quem é de direita Cloroquina, para quem é de esquerda a Tubaína", Bolsonaro, deixa claro que é o presidente de apenas parte do país.

A parte que pensa como ele.

Ao trocar médicos por generais, demonstra que não está disposto a escutar especialistas.

Sua intimidade com a morte é uma constante desde a campanha, quando afirmou que não sabia nada de Economia, porque sua especialidade, como militar, "é matar".

Ou muito antes da campanha, quando afirmou que a ditadura tinha que ter matado mais uns trinta mil e começar "fuzilando o FHC".

Ou quando informou que "preferia um filho morto num acidente de carro do que se aparecesse com um bigodudo".

Nada mais natural, para alguém que pensa assim, que morram "alguns velhinhos e quem tem doenças".

É a eugenia de um fascista.

É a purificação da raça.

Morrem os inimigos. Morrem os fracos. Morrem os velhos e, assim, seremos um país melhor, com Deus acima de tudo.

No início da Revolução Francesa, Robespierre tinha 29 anos.

Na história moderna, não me ocorre nenhuma revolução social que tenha sido feita por velhos como eu.

Não existe mudança sem jovens nas ruas.

Diretas Já e Caras Pintadas, por exemplo.

Basta deste homem derramando sangue de brasileiros em nome de sua ideologia.

Não há revolução sem revolução.

E não há revolução sem a energia de quem ainda tem muita vida pela frente.

Às ruas Millennials.

Vocês já mudaram o mundo com uma nova ética.

Mudem também com um novo status quo.


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