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Minha amiga Marina




Eu tenho uma amiga, a Marina Moraes. Marina é uma querida, escreve que só ela, é daquelas bonitas que perpetuam a belezura nas filhas e, como se não bastasse, é de Minas. Mas, até aí, tenho outros amigos queridos, que escrevem, têm filhos, alguns até mineiros.

A diferença, atenção: ela já andou de braço dado com Antonio Carlos Jobim numa noite em Nova York. Vou repetir com outra ordenação para que os mortais compreendam: numa noite em Nova York, Marina Moraes caminhou de braço dado com Antonio Carlos Jobim.

Ela era repórter da Folha de S. Paulo nos States e fora escalada para entrevistar o maestro. Daí que a entrevista virou papo e descambou para um passeio pelas calçadas e bares de Manhattan.

Inútil perguntar a Marina o que conversaram. Estava maravilhada demais para lembrar. Torcendo com toda a alma para que aparecesse algum conhecido que testemunhasse e registrasse o evento. Mas ainda não havia tantos brazucas por lá, nem o celular havia sido inventado para registrar tudo na mesma hora.

Para eternizar o momento, ela ganhou de Tom um autógrafo no guardanapo de papel de um bar. Mas ela miseravelmente o perdeu, pelos motivos que fazem de Marina uma das pessoas mais divertidas e adoráveis deste Brasil varonil.

Vejam, se eu tivesse um dia andado de braço dado com Jobim, eu seria uma pessoa insuportável. Encomendaria uma estátua do meu braço para ser exposta na sala. Daria sábios conselhos aos familiares. Seria convidado a dar o pontapé inicial em todos os clássicos disputados pela Associação Atlética Riopardense. Exigiria meu nome nas calçadas da fama pelo mundo. Daria palestras, workshops e provavelmente discursaria na ONU. E começaria toda conversa com um “No dia em que andei de braço dado com Tom em Nova York...”.

Escrevo enquanto espero numa mesa da Tchê Churrascaria, no Paraíso, pelos meus amigos Nelson Porto, Marcio Alemão e Marina Moraes. É possível que ela falte ao almoço. Quem andou de braço dado com Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim pode faltar a qualquer compromisso sem qualquer desculpa ou explicação. Em todo caso, vamos deixar reservadas cinco linguiças e um pouco de farofa. E tiraremos no palitinho quem vai sair da churrascaria de braço dado com ela.

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