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Minha arma, minha vida.

Atualizado: 28 de Mai de 2020

Em 1937, Benito Mussolini pregou o armamentismo familiar para a defesa do fascismo. Em 1972, Fidel Castro aconselhou a Salvador Allende que armasse a população chilena, como se Pinochet não pudesse massacrar com seus tanques quem bem entendesse. Em pleno século XXI, Hugo Chavez e Nicolas Maduro armaram até os dentes seus seguidores para defender a anacrônica ‘Revolução Bolivariana’.


Agora, Jair Bolsonaro revelou na tal reunião do ‘Conselho de Ministros’ que a sua intenção de armar os brasileiros tem por base um suposto ‘golpe’. Que golpe? Resistir contra as autoridades locais que os obrigam (ou melhor, recomendam) a cumprir as determinações da Organização Mundial da Saúde.


Ele e Trump consideram a OMS uma organização comunista. Ambos usam antolhos e os tanques que pilotam não têm retrovisor.


Numa sexta-feira 13, em julho de 2012, o presidente da National Rifle Association (NRA) disse o seguinte em uma conferência da ONU: ‘Em nome de 100 milhões de americanos proprietários de armas, a NRA manifesta sua mais veemente oposição à política antiliberal que desconsidera o direito dos cidadãos americanos à autodefesa. A Segunda Emenda foi escrita para evitar que sucumbamos a tiranias.’

Na sexta-feira seguinte, em uma cidadezinha do Colorado, James Holmes transformou a estreia de Batman em um massacre: no cinema, entre pipocas, 12 mortos, 70 feridos. Autodenfendia-se contra sua própria paranoia.


A proximidade entre as datas não passaria de trágica coincidência se uma retrospectiva sobre chacinas do gênero não nos revelasse muito, mas muito mais.


Oxigene, tome fôlego, um calmante e mergulhe nesse mar revolto: em janeiro de 1979, Brenda Ann Spencer disparou o rifle que ganhara do pai no Natal contra uma escola em frente a sua casa em São Diego atingindo 11 pessoas; em julho de 1984, James Huberty disse à mulher que ia ’caçar humanos’, mas ela não o levou a sério e, em uma lanchonete de San Diego, ele matou 21 e fez 19 feridos; em janeiro de 1989, o desempregado Patrick Purdy, com um AK-47, matou 5 e feriu 30 em uma escola da Califórnia; em outubro de 1991, outro desempregado, George Hennard, abriu fogo contra uma cafeteria no Texas, acertando 43 pessoas, das quais morreram 23, e no mês seguinte, um aluno da Universidade de Iowa fuzilou 5 funcionários por causa de uma prova mal feita; em julho de 1993, John Ferri, um empresário quebrado, matou 8 e feriu 6 em um escritório de advocacia em São Francisco; em março de 1998, os estudantes Mitchell Scott Johnson e Andrew Douglas Golden mataram 5 pessoas e feriram o dobro em uma escola do Arkansas; em abril do ano seguinte os garotos Eric Harris e Dylan Klebold mostraram melhor pontaria, matando 13 e ferindo 21 estudantes no que ficou conhecido como o Massacre de Columbine; em 2000 um dia depois do Natal, Michael McDermott fuzilou 7 de seus colegas de trabalho em Massachusetts; em 2002, John Allen Mohamed, veterano da guerra do Golfo e um menor de idade, apavoraram a região de Washington alvejando de dentro da mala de seu carro 13 pessoas, 10 mortalmente; em 2006 no mês de março, Kyle Huff abriu fogo em uma festa rave em Seatle matando 6 jovens e, em outubro, o ex-mot