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Morte anunciada.

Atualizado: Jun 14



O protocolo é claro, não resta dúvida:

O isolamento mitiga a contaminação por coronavírus, criando condições do sistema de saúde atender aos doentes mais graves e consequentemente, poupar vidas.

Não é coisa difícil de se entender.

Coube em duas linhas.

No mundo todo foi assim.

O isolamento se manteve enquanto os casos cresciam.

No mundo inteiro, as autoridades de cada país deixaram clara a importância de ficar em casa para poupar vidas.

E, porque a população estava em casa, o governo encontrou formas de prover uma renda que garantisse a sobrevivência da população, mesmo sabendo que o crescimento do desemprego e a crise econômica são inevitáveis.

Aqui não.

O Brasil tem hoje, seguramente, o maior número de casos e mortes no mundo.

Não de acordo com os números oficiais, porque continuamos testando menos de 10 vezes o resto do mundo.

O governo Bolsonaro sabe bem disso.

Por isso decidiu maquiar os números. Ou não divulgá-los.

Enquanto isso, usou o empresário Carlos Wizard, ex-potencial Ministro da Saúde, criar a narrativa de que muitos casos de outras doenças estão sendo classificados como Covid-19, exatamente o contrário do que vem acontecendo.

Essa hipótese de Wizard não é, sequer, lógica.

Pense comigo: quando um paciente morre de qualquer doença, na maioria das vezes a causa é conhecida, porque não existem gargalos na capacidade de fazer exames da maioria de doenças. É a Covid-19 que enfrenta esse problema. Não é à toa que quando o sujeito morre de consequências da Covid-19, os médicos nem sempre podem garantir que foi o coronavírus simplesmente porque não há testes suficientes.

Toda essa pressão do governo federal, o impacto econômico e simplesmente o tédio de ficar em casa, faz com que o isolamento vá sendo relaxado pelas autoridades e pela população.

Justamente quando estamos batendo recordes de mortes dia a dia.

A posição do governo federal sempre foi remar contra a maré do mundo, transformando o Brasil num exemplo de como não lidar com a pandemia.

O presidente nunca, em momento algum priorizou a pandemia, sempre deixando claro que a crise econômica seria mais grave.

O ministro do Dinheiro, Paulo Guedes, sugeriu dar 200 reais aos brasileiros. Deu 600, mesmo assim, com infinitas dificuldades.

Que não se diga que o país não tem condições de dar mais. Óbvio que tem. Basta ver as reservas que temos, as verbas para os partidos e a verba de comunicação.

Os ministros da Saúde são trocados com mais frequência do que técnicos de futebol.

O atual, interino, é um general sem experiência no assunto e que não participa de entrevistas, o que deixa a população sem nenhuma indicação de como agir.

E agora que a gravidade da pandemia é evidente, o presidente tenta maquiar ainda mais os dados, contendo a divulgação ou divulgando apenas depois do final do Jornal Nacional, como assumiu numa entrevista.

Uma atitude que coloca o Brasil ao lado das piores ditaduras.

(Parece que o governo recuou hoje, mas vamos ver se é assim que vai continuar)

É uma vergonha.

Uma vergonha não para Bolsonaro, porque esse não se envergonha com nada.

Mas uma vergonha para nós, cidadãos.

Uma vergonha que a gente aceite essa situação.

Não é mais uma questão de polarização, de posicionamento político ou de ideologia.

Derrubar o presidente é uma questão de vida ou morte.


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