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Não esquece o vasilhame.

O vasilhame.

Pra mim, vasilhame só era vasilhame enquanto vazio.

E guardá-lo era a certeza de que, um dia, seria trocado por outro cheio.

Dei um “Google” e descobri que vasilhame significa um conjunto de vasilhas.

Mas na minha casa, não. Vasilhame era um só e vazio.

E que responsabilidade era, para um garoto de 6 anos de idade, carregar sozinho aquele objeto desajeitado e quebrável até o armazém, para ser trocado por um cheio.

Filho, vai comprar uma Crush e uma Cerejinha pro almoço, pedia minha mãe. Não esquece o vasilhame.

Eles ficavam, em geral, num engradado no quintal.

Podiam ficar em pé porque, se chovesse, não tinha problema, naquela época não tinha dengue.

Eu os levava numa sacola. Era só entregar pro moço que ele já sabia do que se tratava.

Fico imaginando o mundo com vasilhame e sem aqueles tapetes de garrafa pet nos rios e nos mares.

Mas, segue a vida.

É que deu saudade do vasilhame, do quintal, da minha mãe e também da Cerejinha.

A cabeça da gente, ainda vazia, vai se enchendo de lembranças.

Como na época do vasilhame.

Escrever faz bem para a saudade.

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