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Ney Mar X

Atualizado: Jan 5

Era para ser um réveillon do balacobaco. Quinhentos felizardos, incluindo parças de fé como eu, muitas gatas, boleiros, pagodeiros, influencers... mas um mané vazou para a imprensa, dali para o Ministério Público foi um Zap e, em nome dessa frescura de distanciamento social, quase rolou cancelamento.


Neymar já havia pago tudo. Não que lhe fosse fazer falta a grana, mas o lance teve que ser reinventado. Os organizadores resolveram dividir a festa em episódios como se fosse uma minissérie da Netflix: o primeiro estreou no dia 26/12 do ano passado e, na virada para a temporada de 2021, o último aconteceu em 02/01. Cada um com uns 100 convidados, a maioria figurantes e subcelebridades.


Se nos outros anos me pediram apenas um atestado negativo para DST, desta vez tive que levar também um contra COVID.


Na entrada do condomínio, uma UTI móvel com musculosos paramédicos e calipígias enfermeiras checavam os exames. Do meu grupo, cerca de quinze pessoas foram barradas. Problemas venéreos, meno male.


O termo de proibição de câmeras e celulares foi tão inútil quanto o compromisso de manter sob confidencialidade o que lá se passasse. Aliás, o Sérgio Cabral já havia importado para Mangaratiba a cláusula ‘What happens in Vegas stay in Vegas’. Não deu muito certo.


Quando Neymar apareceu, levei um puta susto. Jurava que eu estava diante do rapper Lil Nas X embrulhado em papel laminado!


Ney não é mais o mesmo. Passou o evento todo fazendo live com uma cantora argentina chamada Emilia Mernes, uma síntese de Anitta com Billie Eilish, sentiram o drama?


A mansão parecia maior do que é, dando aquela sensação de fim de festa só que no começo.


Nem o DJ ajudava, pois na carrapeta só dava a hermana cantando ‘Esa no soy yo’ dos versos ‘Son los trago que me ponen loca Y me provoca besar otra boca’. Como não é ela?


Ainda eram 23:00 horas quando, entediado, resolvi matar o tempo na praia. Ouvi um alarido vindo do mar. Às braçadas, Jair Bolsonaro e seus filhos chegavam na areia, enfiados em neoprenes camuflados e fazendo arminhas com as mãos como num desembarque fictício do Dia D.


Decidi sair à francesa.

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