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No looping.

Na cidade do Recife, de uma das sacadas de onde se batiam panelas contra o governo e palmas para os vizinhos cantantes, despencou uma criancinha que estava aos cuidados da patroa de sua mãe, diarista. O prédio é de luxo, o elevador foi o de serviço e a queda, fatal.


Miguel Otávio, de 5 anos, procurava dona Mirtes, que contou ter chegado a ver seu único filho estirado a seus pés, se esforçando para respirar, com os olhinhos imóveis.


Em Minneapolis, também ofegante e com um olhar desesperado, um homem passou mais de 8 minutos sob os joelhos da polícia, como se fosse um genuflexório humano.


George Floyd, 46 anos, havia usado uma nota de dinheiro falsa. Ele não resistiu à prisão. Nem à asfixia.


No Rio, Rodrigo Cerqueira, Iago César, João Vitor e João Pedro foram mortos em operações policiais em comunidades pobres. Tinham entre 14 e 19 anos. Não tinham antecedentes criminais.


Essas tragédias aconteceram durante uma massiva campanha mundial pregando otimismo e esperança, viralizada em hashtags, lives, propagandas de TV, webinars, e tendo como receituário a solidariedade como salvação da humanidade contra uma pandemia.


Nessa onda motivacional, aplaudimos os profissionais de saúde, renunciamos à convivência com familiares e amigos, procuramos ajudar os mais desvalidos a seguir em frente.


Adotamos o ‘vai passar’ como mantra. Recebemos lições para desapegarmos de mesquinharias, simplificarmos o estilo de vida e revermos metas, valorizando o que verdadeiramente importa na busca da felicidade.


Novidade? Zero. É a tal reinvenção que prometemos embriagados a cada final de ano e que checaremos na balança no réveillon seguinte, no mesmo estado etílico e com alguns quilos a mais.


Ligue a TV ou abra as redes sociais. De novo mesmo, máscaras, respiradores e gráficos epidemiológicos. Para acalentar um pouco o espírito, os telejornais são encerrados com um velhinho ou uma gestante saind