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Novisfora? Que vida, que nada!

Já deu! Já deu mais que as mina daquele condomínio da Barra deram pro Zero 4. Vambora desconfinar. Bora aplicar cloroquina e ligar o foda-se. Ah, não tá liberado? A maconha também não, mas sente a ‘maresia’ aí da sua janela. Bota fora a máscara, a luva, e bota de volta o capacho na soleira da porta. Higienizar, sanitizar? Basta lavar. Lavou, tá novo. Guarda o álcool gel para o próximo churrasco, vai pegar uma praia, jogar uma pelada, ir pra balada. Leva só o preservativo e não dá mole.  Mete a cabeça pra fora do carro pra pegar uma brisa e transgride o sinal vermelho. Compra bala do ambulante, joga a guimba de cigarro pros cracudos, mostra o indicador pro motoboy abusado.  Esqueça as faixas de distanciamento improvisadas no piso das farmácias, que já não têm no estoque o único remédio que você realmente precisa: Engov. Ignore os avisos de ‘no máximo três clientes por vez’ na entrada do supermercado de 8.000 m2 e pé direito de 10 metros. As filas dos caixas estão como os caixas e a sua conta na Caixa - tá tudo vazio.  Não dê bola para as estatísticas das autoridades sanitárias. Lembre que a ciência médica não é infalível. Se fosse, não existiriam os efeitos colaterais nem as contraindicações. Até bula seria dispensável.  Regredimos do ar condicionado split para o ventilador mecânico. Do ‘Peter Frampton Comes Alive’ para a ‘Live da Anitta’. Da família reunida em velórios para a solidão do coveiro à beira da vala comum a céu aberto, como se o nosso ente só fosse querido por ele.  Evoluímos de subdesenvolvidos a subnotificados. Que não sucumbamos submissos, tá ok?  Em frente, faça o favor de sair, sair de casa, da cidade, do país. Vá pra China, onde tudo já passou e o mercado de animais silvestres de Wuhan virou ponto turístico.

Na hipótese de uma ‘segunda onda’ não se preocupe. Os chineses têm tudo o que você precisa: o morcego, o vírus, máscaras, luvas, testes rápidos, testes lentos, respiradores, lavanderias, pastelarias, biscoitinho da sorte e pato laqueado. 


Estão montando um parque temático lá. Vai ter caverna do Batman, castelo do Drácula. Pra entrar tem que doar um quilo de alimento perecido. Prefere permanecer em casa assistindo pela Globolixo a disparada do número de infectados, mortos e de ministros da saúde? O presidente explicando que o acrônimo ‘PF‘ significa ‘prato feito’ ou ‘por favor‘?


E o Paulo Guedes se jactando dos ‘BÍ-lhões‘ e ‘TRÍ-lhões’ com prefixos pronunciados com tanta ênfase!? ‘Vamos surpreender o mundo!’, prediz ele o futuro com base em um presente que já surpreende pelos zilhões de contaminados.  E olha que nem chegamos ainda aos 70% estimados pelo capitão que, com seu jetski, reboca um Titanic em pleno Lago Paranoá. Não se assuste quando esse percentual aumentar. Na pior das hipóteses, estaremos bailando no convés ao som de uma banda Gospel. Portanto, mantenha a calma e analise tudo em perspectiva. Como dito por um general, morre muito mais gente de câncer, de enfarte, de bala perdida e de acidente de carro do que disso daí.  Se rolar um mal estar, é provável até que você nem perceba. É só não somatizar. Do contrário, põe na conta do azar, como o do entregador que foi deixar um capuccino com um pretzel no World Trade Center numa certa manhã de setembro, ou do mineirinho que há um ano pulou a cerca pra comer quieto a vizinha numa moita em Brumadinho.  Como diria o mais espirituoso dos Impostores: “Ô meu, Teich disso, se Mandetta de casa”.



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