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O aborto retroativo.

Você deve conhecer o famoso dilema ético.

Um trem fica sem os freios e está prestes a atropelar cinco pessoas que estão, amarradas aos trilhos.

Você está caminhando ao lado da estrada e, justo ali à sua frente há uma alavanca que, se puxada, consegue desviar o trajeto da composição.

Com um pequeno problema: caso você acione o equipamento, o trem, inevitavelmente, irá atropelar uma outra pessoa que, sei lá porque, caminha sobre esta linha ao lado.

Você tem cinco segundos para tomar uma decisão.

Se não fizer nada, cinco pessoas morrem.

Se você puxar a alavanca, elas vão ser salvas, mas a outra pessoa vai morrer.

O experimento, conhecido como “o dilema do trem“, é um clássico que suscita a discussão entre filósofos e sociólogos e é comumente usado como estudo sobre o modo como tomamos decisões, assim como também ajuda a confrontar diferentes perspectivas e códigos morais à partir de uma mesma situação.

Um estudo realizado por Guy Kahane, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, conclui que as pessoas que não vêem qualquer problema em machucar com gravidade, ou até matar alguém, para salvar um grupo maior de pessoas mostram ter traços antissociais e, em suas vidas cotidiana, demonstram ser menos escrupulosos para fazer mal aos demais - ainda que, neste caso, o mal não seja útil para salvar ninguém.


O comediante inglês Rick Gervais, famoso entre outras coisas por suas altamente controversas apresentações do Golden Globe, já falou algumas vezes em seus stand-ups e em programas de entrevistas sobre o dilema ético e moral criado por ele em suas redes sociais.

Em seu "experimento", Gervais sugere que, caso fosse possível uma viagem no tempo, se você, ao se encontrar com o bebê Hitler, o mataria.

Para tornar tudo ainda mais incomodativo, o comediante ilustra sua pesquisa com uma foto fofíssima do pequeno Adolph (a mesma que ilustra a nossa crônica)


E, cínico como é, também coteja essa foto à dele próprio, também pequenino e pergunta qual dos dois você estrangularia caso encontrasse mais cedo.

Às gargalhadas ele costuma contar que ganhou por uma margem mínima.


Onde eu quero chegar com isso?


Pensei em dois dilemas atuais, muito mais contemporâneos e que eu queria expor a vocês, além também querer saber o que acham que aconteceria, no primeiro caso, e o quem vocês escolheriam, no segundo exemplo.

Ok?


Então vamos ao primeiro caso.

Imaginem que cientistas da mesma Universidade Oxford, por exemplo, ou de um importantíssimo centro de imunologia do mundo anunciassem a suspeita de uma das formas mais contagiosas da disseminação do vírus da covid-19.

E que, essa forma de contaminação perigosíssima fosse através do papel.

Não apenas o papel de dinheiro, ou o papel das embalagens que chegam à sua casa, mas também, muito provavelmente, o papel onde se imprime os jornais.

O que você acha que a imprensa do mundo inteiro faria?

A imprensa escrita traria em sua manchete de capa alguma coisa como "Jornal pode matar"?

E o jornalismo digital?

Se aproveitaria disso para colocar a última pá de cal sobre seus predecessores?

E quando a empresa de mídia fosse detentora de títulos em ambos os ambientes?

E a tv, o rádio, como tratariam o assunto?

Respostas para a nossa revista digital não contagiosa, logo ao final desta crônica.


Questão 2.

Imaginem que no Brasil não fosse aprovada a Lei do Aborto.

Questões religiosas, éticas, de Saúde Pública, políticas, não importa: por alguma razão o projeto jamais passou ou passará.

Mas, como paliativo, decidiram criar uma inovadora Lei do Aborto Retroativo.

E no que consiste a LAR (sim, a Lei do Aborto Retroativo teria uma sigla)?

A LAR consiste em dar a cada cidadão em solo brasileiro, o poder de fazer o que o Rick Gervais propôs, sem precisar voltar no tempo.

De posse da sua cartela de vacinação, o contribuinte poderia se dirigir a qualquer posto do funcionalismo público e ali, sem qualquer cerimônia, apontar a pessoa, uma, apenas uma ao longo de toda a sua vida, que deveria ser abortada retroativamente - naturalmente não sem antes preencher-se um formulário (em papel, caso a covid não seja contagiosa no papel ou digital, via osimpostores.com) onde o interessado explicaria suas razões, adjuntaria alguns elementos para suportar seus argumentos, demonstraria que não se trata de mera mesquinheza pessoal, briga por homem, por mulher, porco ou galinha e, puft, em 3 dias teria seu pedido rejeitado ou aprovado por uma comissão de notáveis não abortáveis, já que até nesse setor haverá algumas regalias e foro especial.

Enfim, não vamos nos dispersar com frivolidades.

A questão é: caso venha a passar a LAR (e isso, meus amigos, lhes digo em segredo, é coisa muito provável, quase iminente mesmo) por quem vocês gastariam o espaço com carimbinho na sua cartela?


Respostas igualmente na seção de comentários abaixo.

Com justificativas, para a gente decidir se aprova ou não.




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