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O Arquiteto e o Pano de Prato.

Atualizado: Abr 23

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Vamos chamá-lo de Paulo.

Arquiteto e Engenheiro, assim com letras maiúsculas.

Competente do alto dos seus 1.90 m.sentado.

Planejou a reforma. Primeiro no papel. Mediu, puxou a trena, desenhou, fechou um olho para maior precisão. Orçou. Orçou de novo . E mais uma vez.

E começou a reforma. Derrubou, furou, abriu, destruiu. Fez do cliente um sócio da loja de material de construção. Canos, cotovelos, emendas. E derruba e pinta. E gesso para lá e gesso para cá. E luminária e mármore e torneira e piso e eletricidade e o cacete a quatro.

Tudo com muito competência em oposição ao ditado que ninguém sabe desperdiçar tão bem espaço quanto um arquiteto.

As paredes remoçaram. A cozinha despertou apetites. A sala cresceu. Um lavabo surgiu do nada. Os pisos faiscaram. As tomadas se espalharam alegres pelos espaços.

Os clientes cada vez mais felizes apesar da coleção diária de boletos enviados por e-mail com pontualidade que beirava ao sadismo.

Quase tudo pronto, o casal admira a cozinha mas faz uma pergunta: onde pendurar o pano de prato?

Paulo, do alto (1.90 m) de sua sabedoria responde: “o pano de prato atrapalhava o projeto.”

Faz sentido. Pano de prato não é matéria nem da Engenharia e nem da Arquitetura.

É coisa de gente (pobre) das humanas.


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