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O biscoito de arroz.

Nesse finalzinho de pandemia, continuo fazendo minhas compras de supermercado pela internet.

Tenho uma lista lá e pimba. Dois cliques e está tudo comprado.

Mas andava enjoado de comer sempre os mesmos breguetes, então resolvi fazer a escolha de um biscoito randômico qualquer, só para variar.

Caiu o biscoito de arroz.

Mandei ver duas embalagens.

Achei que eram aqueles fininhos que vêm numa embalagem preta, sabe qual é?

Uns que se você pegar o apimentado, fica sem conversar com sua mulher por duas semanas.

Chegam as compras e nada das embalagens pretas.

Ao invés delas, dois tubos que, a princípio, achei que eram de papel higiênico.

Demorei um tempo para me dar conta de que aqueles eram os tais biscoitos de arroz.

Lembrava vagamente de já não ter gostado dessa iguaria, mas fazer o que?

Resolvi dar uma segunda chance.

Trata-se, para você que não conhece, de um biscoito em forma de suporte de copo, serventia que, depois de comê-lo, me parece muito mais adequada.

Na primeira mordida, dei uma cusparada certo de que estava comendo a embalagem.

Não estava.

O sabor é neutro, no sentido de nulo.

Assemelha-se ao que Kant chamou de "o nada".

Não sei nem mesmo como o supermercado decide se coloca essa porcaria na gôndola de biscoito salgado ou de biscoito doce, tamanha a insossura (neologismo) do tal.

A textura nas papilas gustativas é a mesma de uma placa de isopor de média espessura.

Hóstia é mais saborosa.

Não sei como alguém que já comeu um Bis na vida, depois de produzir esse biscoito teve a pretensão de vender uma única unidade.

Sei que este não é um assunto que renda uma crônica.

Mas preciso dividir com alguém a minha dor.

Num mundo onde Bolsonaro é presidente e a pandemia está aí, batendo à nossa porta, eu não merecia o biscoito de arroz.

Obrigado por ler até aqui.

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