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O colunista e o humorista

Em 1978, o pioneiro do colunismo social brasileiro, Ibrahim Sued, lançou o seu imortal ‘Nova Etiqueta’, obra que forjou as boas maneiras de gente como Mentor Neto e Márcio Alemão. (Fabio Fernandes fez Socila).


O Nelson Porto já nasceu racé. Como diria um certo advogado, ele é um ‘porto fora curva’. (Não é preciso ser parente do Nelson para perceber que o piadista não é o humorista do título).


De tudo, e não foi pouco, que Ibrahim Sued fez - jornal, TV, rádio, mestre de cerimônias -, ficaram marcadas suas expressões de gosto duvidoso, como ‘Os cães ladram e a caravana passa’, ‘Olho vivo, cavalo não desce escada’, ‘Ademã, que eu sigo em frente’ e outras platitudes.


Como diagnosticado por Elio Gaspari, que dedicou ‘A Ditadura Acabada’ a seu amigo Ibrahim, o ‘Turco sofria de disfunção verbal’.


Menos condescendente, o escritor Sérgio Porto não via problema algum em sacanear Ibrahim. Sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta foi o seu mais implacável gozador, bastando relembrar a sua antológica e devastadora provocação:


‘Tremei cronistas menores... Imaginem vocês que Ibrahim – agora em viagem pela Europa, para desmentir definitivamente a máxima ‘quem viaja aprende’ – vem de publicar uma notinha das mais importantes. Diz o mestre de Jeff Thomas, o inspirador de Pouchard, que andou conversando com o Duque de Windsor. Para castigar um pouco de modéstia no seu escrito, o famoso dramaturco explicou que não conversou em português, o que, aliás, deve ser verdade, pois o duque fala um pouquinho de português, mas Ibrahim não.’


Sérgio Porto morreu no final dos anos 60, e um grupo de amigos formado por meu pai, Carlos Lemos (do JB), o cartunista Borjalo, Millor, Rubem Braga, Nelson Motta (pai do Nelsinho) e Oscar Niemeyer, travou uma verdadeira batalha para batizar com o nome dele a rua em que os três primeiros moravam, na Gávea.


Obviamente, os militares de então - Bolsonaro já não sabia ler e se soubesse não leria um parente de Stalin - não queriam o nome, mas Negrão de Lima bancou o batismo.


Eu me orgulhava de morar na Rua Sérgio Porto, mas, por ironia do destino, hoje o morador mais famoso da rua é Eduardo Cunha, que voltou do presídio de Bangu 1 para cumprir prisão domiciliar na casa - é sério! - n°171.


Como disse Stanislaw nos anos 60 e, por razões outras, diriam hoje Mentor Neto e Márcio Alemão: ‘Oh, Ibrahim, Ibrahim, não fosse você o que seria de mim?’

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