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O Conto do Sábio Chinês

Era uma vez um sábio chinês.


Ele morava no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo.


Um dia o sábio chinês dormiu e sonhou que vivia numa cidade, num país e num mundo muito diferente do que ele estava habituado a viver.


No mundo do sonho do sábio chinês, não havia pandemia e nem ameaças de conflitos internacionais entre China e Estados Unidos. Pelo contrário, desde a eleição de Hillary Clinton em 2016 o mundo vivia uma grande estabilidade econômica e social como poucas vezes se vira na história recente. Acatando as advertências de Bill Gates e de alguns expoentes da ciência, a comunidade internacional vinha investindo pesado na prevenção a possíveis doenças, sobretudo as transmitidas por animais silvestres.


No mundo do sonho do sábio chinês, também não havia polarização política no Brasil, sobretudo depois que os líderes de diversos partidos de esquerda e de direita foram todos presos em decorrência da Lava-Jato, operação que contou com forte apoio do Presidente Eduardo Jorge, eleito em 2014. Aliás, o primeiro mandato de Jorge foi um sucesso e ele se reelegeu em 2018 com larga margem de vantagem sobre Henrique Meirelles, atualmente seu ministro da Fazenda.


No mundo do sonho do sábio chinês, personagens políticos pitorescos como Paulo Maluf, Roberto Jefferson e Jair Bolsonaro continuavam dando audiência apenas por seus tweets destemperados que soltavam da prisão por intermédio de suas assessorias.


Ainda naquele mundo do sonho do sábio chinês, graças aos esforços conjugados de Prefeitos como Fernando Gabeira no Rio e Tábata Amaral em São Paulo, atingimos níveis altíssimos de despoluição e qualidade no ensino público.


Imaginem só que no mundo do sonho do sábio chinês não havia nem sertanejo universitário e nem caixinha de som tocando sertanejo universitário em espaços públicos.


No mundo do sonho do sábio chinês, desde a conquista do hexa na Copa do Mundo do Brasil, após eliminarmos a Alemanha com sete gols de Neymar, que escapou ileso da entrada de Zuñiga, dava gosto de ver o nível que o campeonato brasileiro atingira com a chegada de cada vez mais craques da Europa antes dos 40 anos de idade.


Aliás, no mundo do sonho do sábio chinês, instituições nacionais como a seleção brasileira, a liberdade de imprensa, o Itamaraty e o poder judiciário continuavam sendo respeitadas por todos.


No mundo do sonho do sábio Chinês, a cultura brasileira era cada vez mais fomentada.


Assim como a preservação da Amazônia e das universidades públicas.

Era mais ou menos assim o mundo do sonho do sábio Chinês.


Até que um dia ele acordou e se viu no pesadelo de viver em uma pandemia no Brasil de 2020, com turbas de fanáticos indo às ruas pedindo intervenção militar para o gozo de um facínora que carrega a faixa presidencial, enquanto milhares morrem diariamente por falta de estrutura do sistema público de saúde.


E para o resto da vida uma dúvida acompanhou o sábio chinês:


- Vivia ele de fato aquela realidade inimaginável, com tantas cenas grotescas, e a experiência em que tudo era infinitamente melhor fora apenas um sonho?


- Ou tudo era de fato infinitamente melhor na vida real e ele estava apenas preso àquele pesadelo terrível?


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