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O Curió e o Jacu

Atualizado: Mai 6

Ontem o Presidente da República recebeu no Palácio do Planalto, fora da agenda, o tenente-coronel reformado do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o outrora temido Major Curió.


Essa figura sinistra não chegou a ser um Brilhante Ustra, ídolo máximo de Jair Bolsonaro, mas quase. Comandando uma das grandes forças da repressão militar nas épocas áureas da ditadura, Curió participou ativamente do combate à guerrilha no Araguaia dos anos 70.


Foi lá que ele mandou executar ao menos 41 guerrilheiros que já estavam presos e rendidos, conforme confessou há coisa de dez anos ao jornalista Leonêncio Nossa, autor de suas histórias no livro “Mata!”, de 2012.

Ainda que compartilhemos a versão histórica de Curió e das Forças Armadas sobre aquele período, segundo a qual vivíamos uma guerra civil de combate ao terrorismo comunista, não há dúvidas de que Curió foi um criminoso de guerra. Esse é o nome que se dá a quem executa em série prisioneiros inimigos, sobretudo os desarmados e entregues.

Mas o nosso Presidente da República não se impressiona com esse tipo de relato. Pelo contrário, vê nisso uma das grandes qualidades de seus ídolos. Expulso do Exército justamente por desrespeitar as regras da corporação, ele é um criminoso de guerra por natureza.

Por isso agride a esmo, sem restrições. Instituições e convenções sociais. E daí? E eu com isso? Eu sou a Constituição, taoquei?

“Eu prendo e arrebento, porque eu tenho a caneta. E vocês? Ora, vocês calem a boca”.


Assim cacarejam o Curió de ontem e o Jacu de hoje, para a estupefação geral da nação.



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