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O doente mais doente e mais perfeito do mundo.


Ele foi batizado como Lavoisier em homenagem ao grande químico francês, precursor de Walter White na fabricação de drogas sintéticas.

Entretanto, como nenhum brasileiro tem obrigação de se afrescalhar e falar o idioma dos cheiradores de rolha, nosso amigo, desde a infância, ficou consagrado como Lavaizé.

Contador aposentado isso não significa necessariamente que se retirou aos seus aposentos pois ainda tem alguns clientes para os quais preenche cautelosamente declarações de imposto de renda.

Alto, 1.90, magérrimo, sempre de terno e gravata Lavaizé tem uma característica muito especial: é o melhor papo do Brasil sobre doenças.


Eu o invejo desde os tempos do ginásio. A cada duas semanas ele faltava uns quatro dias por causa de febres, febrículas, diarreias, catapora, coqueluche, sarampo, resfriados, gripes, prisão de ventre, náuseas, intestino preso, dor de garganta, dordolho. O professor Celestino Pina dizia que se alguém espirrava na Noruega o Lavaizé faltaria três dias.


De qualquer maneira, conversar com o meu amigo contador vale por uma consulta médica sem necessidade de ficar 3 horas numa sala de espera.

Ele é capaz de enumerar pelo menos 40 doenças que já contraiu e mais umas 20 que espera contrair antes de morrer.

Dizem que nessa época de coronavírus, o nosso amigo tem sido consultado informalmente por importantes médicos infectologistas e organismos internacionais ligados à saúde.

Ontem, falamos longamente ao telefone. E Lavaizé me confessou: “Nelson, eu penso que até a morte terei todas as doenças do mundo com exceção da hipocondria”

Dito isso pediu desculpas e foi atender outra ligação.

Aposto que era algum Ministro.

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