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O elo perdido

Atualizado: Abr 18

Ando irritado com a extrema imprensa questionando se o nosso presidente Jair Bolsonaro é louco, psicótico ou psicopata; se é burro ou tem default cognitivo; se é um ladino estrategista ou um desprecavido desastrado.


A resposta não está nos especialistas de plantão - analistas políticos, sociólogos, psiquiatras, influencers - que passaram a frequentar os noticiários.


Não. Está na criptozoologia.


Se você leu ‘Sur la piste des bêtes ignorées’ (ed. Librairie Plon, 1955) - e com certeza leu - sabe do que estou falando. Quem não leu, não faça prejulgamentos: ‘bêtes ignorées’ não significa ‘bestas ignorantes’, mas sim ‘criaturas desconhecidas’. Se você assistiu o filme ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’, já dá pra quebrar um galho.


A criptozoologia é uma disciplina que estuda as criaturas lendárias que povoam o imaginário, como o famoso monstro de Lock Ness ou a nossa mula-sem-cabeça.


Seu precursor, o francês Bernard Heuvelmans, é a maior autoridade mundial em Homem das Neves, é um de seus últimos trabalhos antes de ser devorado por um Yéti no Nepal, foi sobre uma lenda africana de um ser que oscilava entre o homem e o macaco. Algo que colocou evolucionistas e criacionistas no mesmo patamar de ignorância.


De fato, havia a crença de que um pequeno grupo de homo sapiens, entediado com a reclusão das cavernas, cansado de tanto lascar pedra para fazer fogueira, e de saco cheio com as próprias estruturas sociais em que se meteu, decidiu partir para a floresta, caindo aos poucos em um estado de semibestialidade.


Reduzidos estritamente a seus núcleos familiares, defendiam o livre porte de armas (pedras e bordunas), suspeitavam de qualquer ser com os quais não tivessem laços sanguíneos e pregavam a destruição da natureza dada a ameaça que lhes representavam os libidinosos símios.


Pensavam: sem árvores não haveria cada macaco no seu galho. Nem saliências, masturbações ou golden showers.


Viam seus semelhantes como inimigos mais letais que os desconhecidos vírus que, de tempos em tempos, os dizimavam apesar da alimentação à base de cloroquina com bananas.


Não só ainda acreditam nisso, como sustentam que se as hienas usassem toga, o homem não seria o único animal que ri.


De todas as árvores, deixariam de pé somente as goiabeiras, morada de seu Deus.


Cultuam, a um só tempo, o terraplanismo planetário e a terraplanagem cerebral.


Apesar da misantropia paranóica que os levou, em algum momento da história, a se isolarem em um hermético clã, recusam as bases do que veio a se conhecer entre nós como “distanciamento social”. São seletivos.


Jair Bolsonaro não é humano nem macaco. É um criptídeo, um ser cuja existência é uma abstração, uma hipótese meramente sugerida. Por isso seus seguidores tem total razão em chamá-lo de mito.


Sim, há quem o siga. Mais: há quem o siga cegamente. E não são poucos, mas já são menos.


Como os fãs daquele seriado que passava na tevê nos anos 70 chamado O Elo Perdido. Vocês se lembram? Eu também não.

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