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O fakevírus

Enquanto as notícias voam, as fake news aterrissam. No pouso, forçado ou sutil, tocam o chão onde temos os pés já não tão firmes. 


Desembarcam sem checagem de proveniência e não são submetidas a detectores capazes de barrá-las. Sem pedir licença, sobem por nossos troncos. 


Não há distanciamento social que impeça sua viralização, nem álcool gel ou sabonete antisséptico que as remova. 


Máscara? A História sempre ensinou que mascarar a mentira só piora a situação. 


De suas fontes não brotam águas potáveis e não há filtro que elimine seus coliformes fecais ou cloro que as desturve. 


A futrica, a maledicência, o ódio e a intolerância formam o princípio ativo de uma polarização que dos extremos avança para contagiar até os pretensamente imunizados pela isenção. 


É um vírus que não precisa de uma coroa para expandir suas colônias, e nem de professar uma ideologia para subjugar os povos. 


Como uma arma de destruição em massa, reverbera num ecoar exponencial uma onda de choque que parece incontrolável.


A mídia tradicional e jornalismo profissional bem que se esforçam em detê-la, redobrando plantões, formando mutirões e aprimorando testagens. Em vão. 


Como médicos sem fronteiras, não têm recursos suficientes nem equipamentos para salvar a humanidade desse mal que, também sem fronteiras, evolui muito mais rapidamente do que a vacina para combatê-lo.