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O Motorista - Histórias da F/Nazca.

Atualizado: 12 de Mai de 2020

O filme começava com um menino de uns 10 anos, sentado à mesa ao lado do pai que, distraído, lia um jornal.

Às voltas com um cachorro quente lotado de ketchup, o menino leva o sanduíche à boca e deixa boa parte do molho escorrer direto sobre sua camisa.

Sem saber o que fazer, quase imóvel, o menino pede socorro: "Pai?"

Sem demonstrar qualquer emoção, o pai agarra a bisnaga de ketchup e a espreme com força direcionando o jato para a camisa do menino, atônito.

"Sua mãe comprou a embalagem de 2 quilos de Ariel!".

Num corte rápido vemos cenas de embalagem e o dosador, o locutor diz algo como "Novo Ariel 2 quilos. O dobro de Ariel para remover o dobro de manchas difíceis".

Na próxima cena, um segundo filho, um pouquinho mais velho, está também à mesa e também choraminga mostrando uma mancha de ketchup em sua camisa.

O pai, pega uma fatia de pão de forma, untada de manteiga, a atira na camisa do filho, chegando a ficar grudada nela. Aí olha para o menino menor e sugere: "Conta pra ele".

Essa era a ideia que eu tinha criado e aprovado com o cliente um mês antes.

Agora, de volta das minhas férias, tinha a reunião de produção com o cliente e produtora, logo pela manhã.

Indo em direção à sala onde a produtora já nos aguardava, André Kassu, redator (hoje sócio da CP+B) que chegara há pouco tempo a São Paulo importado da F/Nazca Rio, foi me contando no caminho sobre modificações no roteiro que o cliente havia pedido durante aquele período em que ele ficara responsável por cuidar do projeto em meu nome.

Eram duas, as solicitações, ainda não contempladas, mas que seguramente viriam à tona em nossa reunião.

A primeira era inserir uma mãe na história.

Sim, amigos, eu sei.

A segunda era mostrar a camisa seca e limpa, como prova da eficiência da lavagem da camisa do primeiro menino.

Sim, amigos, eu também sei.